São Paulo, Segunda-feira, 21 de setembro de 2026
Dólar R$ 5,16 · Euro R$ 5,91 · Ibovespa 185.229 +0,00%
Notícia com critério
Internacional

Voto dos EUA isola país em resolução da ONU sobre representação dos continentes

Proposta apoiada pela União Africana recomenda modelos cartográficos com proporções mais próximas das áreas reais das massas de terra.

Voto dos EUA isola país em resolução da ONU sobre representação dos continentes
Foto: Reproduçãio/equal-earth.com

A resolução aprovada pela Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) recebeu 164 votos favoráveis e apenas um contrário: o dos Estados Unidos. Estônia, Geórgia, Lituânia, Moldávia, Sérvia e Ucrânia se abstiveram.

A iniciativa, chamada de “Corrija o mapa”, recomenda que governos, organizações internacionais e outras instituições considerem projeções cartográficas capazes de representar os continentes de maneira mais próxima de suas dimensões reais. A decisão não determina o abandono imediato da projeção de Mercator.

A justificativa apresentada pelos Estados Unidos

A proposta foi rejeitada pelos Estados Unidos sob o argumento de que faria parte de um projeto ideológico mais amplo. Yaryna Ferencevych, vice-representante americana no Conselho Econômico e Social da ONU, leu a posição do país em plenário: “Embora essa iniciativa seja apresentada como um esforço inócuo para atualizar proporções cartográficas, os Estados Unidos claramente percebem que ela não pode ser dissociada do projeto ideológico muito mais amplo e radical do qual faz parte”.

Ferencevych não detalhou qual seria esse projeto. O governo Trump costuma recorrer à ideia de uma “guerra cultural” ao tratar de pautas que ampliam a visibilidade de países fora do Ocidente.

A posição americana ocorre em um período em que o governo também utiliza referências geográficas em decisões de projeção de poder. Ao assumir a Casa Branca para seu segundo mandato, Trump renomeou o Golfo do México como Golfo da América. México e outros países não adotaram a mesma denominação.

Na ocasião, o governo dos Estados Unidos afirmou que o órgão promovia causas sociais e culturais polarizadoras e mantinha atenção desproporcional aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU, descritos como uma agenda ideológica e globalista de desenvolvimento internacional contrária à política externa “America First”.

O que muda na representação dos continentes

A projeção de Mercator é usada tradicionalmente em documentos e livros escolares. Nela, regiões próximas aos polos aparecem visualmente maiores do que são, enquanto áreas próximas à linha do Equador ficam proporcionalmente reduzidas. Países africanos se opuseram a essa representação porque ela faz seus territórios parecerem menores em comparação com os europeus.

Com apoio da União Africana, a iniciativa foi liderada por Togo. Robert Dussey, ministro das Relações Exteriores do país, afirmou antes da votação que a decisão representaria uma defesa da “verdade científica”. Para ele, o debate não se limita à cartografia e envolve também a forma como povos e territórios são percebidos.

A resolução sustenta que os mapas não servem apenas para localizar países e continentes. Eles influenciam a maneira como as pessoas compreendem o mundo e podem produzir efeitos cognitivos, educacionais, culturais e geopolíticos. O texto afirma que a manutenção de representações distorcidas pode perpetuar uma visão desequilibrada entre diferentes regiões.

A alternativa apoiada pelo projeto é a projeção “Terra Igual”, adotada pela União Africana. O modelo busca preservar melhor as proporções entre os continentes e representar com maior precisão as áreas das diferentes regiões do planeta. A resolução também relaciona a iniciativa ao Pacto para o Futuro, aprovado pelos países-membros da ONU em 2024, que prevê ações contra desigualdades históricas e estruturais.

A França começou a usar o mapa Eckert IV, cuja escala é semelhante à do projeto “Corrija o mapa”.

Texto produzido pela Redação Caderno Atual com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

Entre na nossa newsletterO melhor da semana, sem spam.