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Justiça

Biografia revisita a formação política e as contradições de Carlos Lacerda

Livro de Mário Magalhães acompanha a trajetória de Carlos Lacerda entre 1914 e 1955 e reconstitui seus conflitos políticos e familiares.

Biografia revisita a formação política e as contradições de Carlos Lacerda

A biografia Lacerda: coração de tempestade, de Mário Magalhães, revisita a trajetória de Carlos Lacerda entre 1914 e 1955. Publicado pela Companhia das Letras em agosto de 2026, o livro percorre a formação familiar, a atuação jornalística e os conflitos políticos que marcaram a vida do personagem.

Carlos Lacerda nasceu no Rio de Janeiro, em 30 de abril de 1914. Era filho de Maurício, deputado federal, orador e autor de livros, e de Olga. Seu avô Sebastião Lacerda, ministro do STF, exerceu a função paterna durante parte de sua infância e adolescência. Décadas depois, Carlos retomou essa relação em A Casa do Meu Avô.

A busca e apreensão realizada na casa de Sebastião Lacerda, por ordem do Executivo de Arthur Bernardes, aparece logo no início da biografia. A medida foi apresentada como retaliação à atuação política de dois filhos do ministro. Carlos resumiu a relação com o avô em uma frase: “Ele me adotou”.

Formação política e jornalismo

A chegada de Getúlio ao poder, em 1930, durante a ruptura que afastou Júlio Prestes, marcou a juventude de Carlos. O governo provisório restringiu a apreciação judicial de seus atos, afastou governadores, nomeou interventores e proibiu reuniões políticas e sindicais. Nesse ambiente, Lacerda se aproximou da esquerda, seguindo a tradição do pai e de dois tios ligados ao PCB.

Mais tarde, passou a criticar o PCB e Prestes, especialmente após o assassinato de Elza, mulher de Miranda, em 1936. Também se opôs a Getúlio. A biografia acompanha essas mudanças sem reduzi-las à classificação de uma simples passagem da esquerda para a direita.

Carlos conheceu Letícia no início de 1938. Os dois se casaram e tiveram três filhos: Sérgio, Sebastião e Maria Cristina. Ele abandonou a Faculdade de Direito e tornou-se jornalista. Em 1949, fundou a Tribuna da Imprensa, jornal que enfrentou sucessivas crises financeiras. Depois, criou a editora Nova Fronteira e traduziu livros do francês e do inglês.

Conflitos políticos

Lacerda foi preso sete vezes e sofreu agressões físicas. O episódio mais grave ocorreu em agosto de 1954, quando homens enviados para matá-lo atingiram o major da Aeronáutica Rubens Vaz, que acompanhava o jornalista e seu filho Sérgio. A investigação foi assumida pelas forças militares. Em 24 de agosto, Getúlio se matou.

Anos depois, Carlos se posicionou contra a posse de Juscelino Kubitschek, eleito presidente. O livro apresenta essa decisão como uma ruptura com posições que Lacerda havia defendido anteriormente. Em 1960, ele foi eleito governador da Guanabara. A administração desse período será tratada no segundo volume, assim como sua posição diante do golpe de 1964.

A biografia procura afastar estereótipos e apresentar Lacerda em suas circunstâncias familiares, políticas e históricas. O personagem aparece como jornalista, orador, empresário editorial e agente central dos conflitos de seu tempo, sem que sua trajetória seja reduzida à disputa entre esquerda e direita.

Texto produzido pela Redação Caderno Atual com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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