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Economia

Livro expõe disputas, poder e paradoxos na trajetória dos Safra

Obra de Robson Viturino acompanha a ascensão bancária da família, as relações com autoridades e os conflitos que marcaram seus negócios.

Livro expõe disputas, poder e paradoxos na trajetória dos Safra
Foto: Folhapress

A morte de Edmond Safra, em 1999, ocupa posição central em “Os Safra: Uma história”, de Robson Viturino. O banqueiro morreu em seu apartamento de cobertura, em Monte Carlo, depois de se refugiar em um quarto de segurança durante um incêndio e inalar fumaça. O caso, inicialmente cercado por suspeitas e versões conflitantes, é retomado em capítulos alternados ao longo do livro.

A Justiça de Mônaco concluiu que um enfermeiro havia ateado fogo a uma cesta de lixo e inventado uma invasão ao apartamento para tentar ser reconhecido e premiado pelos patrões bilionários. O plano saiu do controle. A polícia dificultou a atuação dos bombeiros por temer a presença de invasores armados e impediu que o chefe da segurança de Edmond entrasse no imóvel. Ele tinha a chave para abrir, do lado de fora, a porta do quarto onde o banqueiro estava.

Edmond, desconfiado e medicado, não aceitou deixar o espaço em que havia se escondido. Sem confiar nas garantias das autoridades, permaneceu trancado até morrer por inalação de fumaça.

Uma família marcada por contrastes

O episódio funciona no livro como uma espécie de eixo para a história dos Safra, mas não encerra seu significado em uma explicação única. Viturino apresenta uma família ligada ao setor financeiro por gerações e sustenta, ao longo da narrativa, a convivência de características aparentemente opostas.

Os Safra aparecem próximos do poder no Brasil, na Europa, nos Estados Unidos e em Israel, embora também tenham sido acusados com frequência de não operar estritamente dentro das regras. Sobre Edmond, um banqueiro citado na obra afirma que ele “tinha sempre muito cuidado de fazer as coisas o mais perto possível da lei”.

A discrição e o controle da imagem convivem com a busca por reconhecimento. Os banqueiros são descritos como capazes de tratar funcionários com rigor, inclusive executivos de alto escalão, mas também como grandes filantropos no Brasil. A riqueza extraordinária é apresentada ao lado de conflitos familiares e de uma vida privada marcada por sofrimento.

Da Síria ao Brasil

A narrativa começa no século 19, em Aleppo, na Síria, onde os Safra mantinham negócios. A família depois se transferiu para Beirute, no Líbano. Em 1920, Jacob Safra, pai de Edmond, Moise e Joseph, fundou na cidade um banco com seu nome.

Entre os clientes estavam judeus sefarditas e integrantes da diáspora judaica do Iraque, da Turquia e da Grécia, que haviam se refugiado em Beirute desde a primeira década de 1900. Jacob atuava como depositário e também operava nos mercados de ouro e câmbio.

A família deixou o Líbano no início dos anos 1950, depois do aumento da hostilidade contra a comunidade judaica em Beirute, após a criação de Israel e o começo da primeira guerra árabe-israelense, em 1948. Parte dos Safra se estabeleceu no Brasil.

Bancos, desconfiança e influência

O livro acompanha especialmente Edmond (1932-1999), Moise (1934-2014) e Joseph (1938-2020), os irmãos que concentraram o maior nível de riqueza e poder entre os Safra. Para Viturino, a obra não segue o modelo de biografias empresariais voltadas a celebrar o enriquecimento. “As biografias de empresários, de banqueiros, geralmente são hagiografias”, disse o autor.

A atividade bancária também é apresentada a partir de uma tensão: a instituição precisa vender confiança ao poupador, mas depende da desconfiança para decidir a quem emprestar. Edmond dizia que conceder dinheiro sem informações detalhadas sobre o devedor “cheira a sangue”. Joseph, ao explicar o segredo do sucesso, resumiu a regra a não emprestar dinheiro para todos os que pedem.

A proximidade com autoridades econômicas contribuiu para os negócios da família, sobretudo durante o regime militar. Entre os interlocutores estavam Delfim Netto e Ernane Galvêas, que presidiu o Banco Central e se aproximou de Joseph Safra. Na década de 1970, os negócios cresceram, enquanto executivos destacavam a capacidade de Edmond de antecipar movimentos da taxa de juros.

Disputas pelo controle

O crescimento financeiro foi acompanhado por brigas societárias. Primeiro, entre Joseph e Moise, na primeira década deste século. Mais tarde, o conflito envolveu os filhos de Joseph.

Viturino afirma que, apesar dos valores envolvidos, essas disputas guardam semelhança com desentendimentos comuns entre parentes. Para ele, famílias podem entrar em conflito por motivos muito menores, como objetos domésticos ou uma prataria. A conclusão reforça a ideia central do livro: a dimensão da fortuna não elimina comportamentos familiares ordinários.

Texto produzido pela Redação Caderno Atual com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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