A Casa Branca afirmou à Justiça que o acesso da imprensa ao governo é um privilégio, não um direito, enquanto enfrenta uma ação do Politico, da CNN e da MS NOW contra a proibição de cobertura presidencial. A restrição continua em vigor após uma audiência em que o juiz federal Timothy Kelly não decidiu sobre a suspensão temporária da medida.
Entre os documentos apresentados pelo Executivo estão três cartas que mencionam uma reportagem do Politico produzida a partir de informações fornecidas oficialmente pela própria Casa Branca. O material foi divulgado após um briefing coletivo sobre o andamento de um acordo de cessar-fogo dos Estados Unidos com o Irã, em junho.
Informação fornecida pelo governo
Os jornalistas receberam orientação para atribuir as declarações a uma “autoridade sênior do governo”, sem identificar a pessoa. A fonte afirmou que a possibilidade de conclusão do acordo estava entre 80% a 85%. Alguns dias depois, foi anunciado o único cessar-fogo público do conflito até aqui.
A Casa Branca citou o texto do Politico ao sustentar que vazamentos desse tipo poderiam prejudicar a segurança nacional. A reportagem, porém, seguiu as regras estabelecidas no briefing e não revelou o nome da fonte. Outros veículos participaram da mesma reunião e publicaram informações sob as mesmas condições, sem terem sido banidos por Donald Trump.
“Não posso dar uma data exata [sobre a conclusão do acordo]. E se eu tivesse que dar alguma garantia de que chegaríamos a um acordo, talvez dissesse 75% esta manhã”, disse a autoridade. Na sequência, ela estimou que a chance estava mais perto de 80, 85%, embora não fosse 100%.
Disputa sobre o acesso
Trump anunciou a proibição na última sexta-feira (18) e acusou, sem apresentar provas, as três empresas de publicar informações falsas. Politico, CNN e MS NOW contestam a medida e afirmam que ela viola a Primeira Emenda da Constituição, que protege a liberdade de expressão.
Na audiência de emergência realizada nesta quarta-feira (23), Kelly disse que a decisão não parecia compatível com um precedente de uma corte de apelação do Distrito de Colúmbia. Segundo o juiz, jornalistas têm direito ao devido processo legal antes que seus passes sejam revogados pela Casa Branca. Kelly foi indicado por Trump em 2017.


