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ETFs ampliam estratégias e exigem atenção a derivativos e ativos alternativos

A expansão dos fundos negociados em bolsa inclui alavancagem, criptoativos e empresas fechadas, com riscos específicos para investidores.

ETFs ampliam estratégias e exigem atenção a derivativos e ativos alternativos

Os fundos negociados em bolsa, conhecidos como ETFs, passaram a abranger estratégias que vão além da réplica de índices tradicionais. A estrutura pode oferecer exposição a ações, moedas, commodities, renda fixa, criptoativos, derivativos e outros ativos, mas o rótulo do produto não elimina a necessidade de avaliar sua composição e seus riscos.

Nos Estados Unidos, havia US$ 15,74 trilhões distribuídos em 5.590 ETFs ao fim de julho de 2026. No Brasil, 204 fundos listados na B3 somavam R$ 126 bilhões em patrimônio em junho. O BOVA11, que replica o Ibo, reunia cerca de 100 mil cotistas e R$ 14 bilhões.

Estratégias que se afastam dos índices

A maior parte dos ETFs americanos está concentrada em ações, que representam cerca de 79% do patrimônio. Entre os maiores fundos do mundo estão VOO, SPY e IVV, ligados ao S&P 500, além de VTI, que acompanha o mercado norte-americano, e QQQ, baseado no Nasdaq-100.

Também cresceram os produtos temáticos. O QTUM, da Defiance, oferece exposição à computação quântica e superou US$ 5 bilhões em patrimônio em abril de 2026, depois do anúncio de um programa de US$ 2 bilhões para o setor pelo governo norte-americano. O AIPO, da mesma gestora, foi lançado em julho de 2025 para investir em infraestrutura de energia voltada a data centers de inteligência artificial e ultrapassou US$ 200 milhões em janeiro.

Há ainda ETFs com alavancagem ou exposição inversa. O TQQQ busca triplicar o retorno diário do Nasdaq-100 e tinha cerca de US$ 37 bilhões. O SQQQ entrega o resultado inverso do índice. Já o UVXY utiliza derivativos de volatilidade: tende a ganhar quando as oscilações do mercado aumentam e a perder quando diminuem.

Os ETFs de criptoativos foram autorizados nos Estados Unidos em janeiro de 2024 e receberam US$ 58,7 bilhões desde então. O iShares Bitcoin Trust, da BlackRock, captou mais de US$ 25 bilhões em 2025. No Brasil, a CVM autorizou esses produtos em 2021. Em 2024, oito dos dez ETFs com maior valorização estavam relacionados a criptoativos. Os BDRs de ETFs estrangeiros também ampliaram as alternativas disponíveis ao investidor local.

No mercado brasileiro, os ETFs de renda fixa superaram os de renda variável em patrimônio pela primeira vez em junho de 2026. A categoria tinha R$ 60,8 bilhões, contra R$ 13,2 bilhões um ano antes. Os ETFs de ações somavam R$ 55,8 bilhões, e as demais categorias, R$ 9,4 bilhões. A B3 oferece produtos ligados ao Tesouro IPCA+ de vencimento único, ao CDI, a títulos prefixados e a debêntures corporativas.

O efeito da alavancagem

Os ETFs classificados como de gestão ativa representaram 85% dos lançamentos nos Estados Unidos em 2025. Em muitos casos, porém, a estratégia segue regras predeterminadas e utiliza derivativos, em vez de depender de decisões discricionárias. Entre as estruturas estão produtos que buscam o dobro do retorno diário de um ativo, vendem opções periodicamente ou entregam o inverso de um índice.

A ARK Invest é uma exceção por realizar gestão ativa no sentido tradicional. O ARKK, seu principal ETF, caiu de US$ 28 bilhões em fevereiro de 2021 para US$6,6 bilhões em setembro de 2026. A Morningstar estima que os fundos da gestora, somados, destruíram entre US$ 13,4 e US$ 14,3 bilhões em valor para os acionistas em dez anos, sendo cerca de US$ 7 bilhões no ARKK.

Nos produtos alavancados, a promessa de dobrar ou triplicar o retorno se refere à variação de cada dia, e não necessariamente ao resultado acumulado entre duas datas. Ao fim de cada sessão, a exposição é recalculada com base no novo patrimônio. Por isso, a sequência de ganhos e perdas pode produzir um resultado diferente do múltiplo da variação total do ativo.

Raciocínio semelhante se aplica aos ETFs que vendem opções e distribuem pagamentos periódicos com os prêmios recebidos. Nesses casos, o resultado decorre da soma de operações semanais ou mensais, e não apenas da variação da carteira no período.

A expansão alcança também veículos voltados a empresas de capital fechado, oferecidos ao varejo americano pela Robinhood por meio de closed-end funds (CEFs). Nessa estrutura, pode ser inviável manter uma relação entre o preço da cota em bolsa e o valor patrimonial, já que ações de empresas fechadas não têm formação dinâmica de preço.

A análise de um ETF deve considerar os ativos que compõem a carteira, especialmente quando há derivativos, operações estruturadas ou participações em empresas fechadas. A utilização dessa estrutura para oferecer produtos pouco usuais não deve permitir que investidores transfiram a percepção associada aos ETFs tradicionais para estratégias com riscos diferentes.

Texto produzido pela Redação Caderno Atual com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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