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Disputas por terra concentram mortes de defensores ambientais no Brasil

Relatório da Global Witness aponta 26 homicídios no país em 2025, com Rondônia e Pará reunindo metade dos casos.

Disputas por terra concentram mortes de defensores ambientais no Brasil
Foto: Folhapress

Rondônia e Pará concentraram metade dos assassinatos de defensores ambientais registrados no Brasil em 2025, segundo relatório da Global Witness. Ao todo, foram 26 homicídios no país, contra 12 em 2024. O Brasil passou do quarto para o segundo lugar no ranking mundial de mortes de ambientalistas, atrás da Colômbia.

A maior parte dos casos brasileiros teve relação com disputas por terra. Sete mortes estavam ligadas a territórios indígenas e 14 envolviam agricultores familiares. O relatório relaciona a violência regional à pressão exercida pelo avanço das fronteiras agrícola e extrativista sobre comunidades tradicionais.

A Global Witness afirma que a ausência de resolução sobre direitos fundiários deixa povos indígenas e pequenos agricultores sujeitos à grilagem de terras, à intimidação e à violência. Gabriella Bianchini, chefe de parcerias da organização, também disse que essas comunidades se organizam, recorrem à lei e criam estratégias próprias para defender seus territórios e direitos.

Cenário internacional

O aumento no Brasil ocorreu no mesmo ano em que Belém (PA) recebeu a COP30, cúpula sobre mudança climática das Nações Unidas. O encontro teve participação indígena recorde e incluiu compromissos sobre direitos territoriais.

A América Latina foi a região com mais mortes de defensores ambientais em 2025, com 105 assassinatos, quase nove em cada dez casos registrados no mundo. A Colômbia liderou a lista, com 39 homicídios. Quase metade dos colombianos mortos era indígena, enquanto 15 eram agricultores familiares.

O departamento de Cauca, no sudoeste colombiano, aparece como centro da violência no país. A área fica próxima à fronteira com o Equador e a rotas de exportação pelo Pacífico. O relatório afirma que o cultivo de coca aumentou cinco vezes na última década, em meio à influência de grupos armados colombianos e cartéis mexicanos.

A lista dos países com mais mortes também inclui Filipinas, Honduras, México e Guatemala. A Global Witness identificou possíveis vínculos com organizações criminosas nos seis países que lideram o ranking, cinco deles na América Latina.

Queda global e subnotificação

No mundo, o número de assassinatos caiu 15% em relação a 2024, quando foram registrados 142 casos, e 37% na comparação com 2023, que teve 196 mortes. Ainda assim, a organização avalia que os dados provavelmente estão abaixo do total real, porque muitos casos não são denunciados. Entre os motivos estão a insegurança generalizada, mortes em massa durante conflitos e repressão à documentação de abusos.

Desde 2012, quando começa a série histórica da entidade, foram documentados 2.375 assassinatos e desaparecimentos. Em 2025, quase três quartos das mortes envolveram indígenas, com 47 casos, ou pequenos agricultores, com 44. Sete indígenas mortos atuavam como guardas na proteção de seus territórios.

As disputas por terra responderam por mais da metade das mortes, com 84 casos. Também foram registrados assassinatos relacionados à mineração, à extração de madeira e ao agronegócio, com 11, 8 e 6 ocorrências, respectivamente.

Fora da América Latina, a Ásia respondeu por 12% dos assassinatos. A maioria ocorreu entre filipinos, com 12 casos. Também houve mortes na Índia e na Turquia, que sediará a cúpula climática da ONU deste ano. A organização afirma que os homicídios são a forma mais extrema de punição contra ativistas e fazem parte de um conjunto mais amplo de ataques, como difamação, criminalização e ameaças.

Texto produzido pela Redação Caderno Atual com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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