O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Luiz Edson Fachin, cancelou a sessão presencial do Plenário prevista para a tarde desta quarta-feira (9/9). A medida foi tomada em meio aos novos desdobramentos da crise interna da Corte, que se intensificaram durante a manhã.
O ministro Flávio Dino determinou, em decisão monocrática, o retorno de Andrei Rodrigues ao cargo de diretor-geral da Polícia Federal. A decisão também restabeleceu o funcionamento da inteligência policial e anulou os efeitos do afastamento determinado na terça-feira pelo ministro André Mendonça, que havia suspendido a produção de relatórios envolvendo o caso.
Os documentos foram usados pelo ministro Alexandre de Moraes para pedir a investigação de Mendonça por atuação tendenciosa e eleitoreira na condução do processo relacionado ao Banco Master no STF. A iniciativa de Moraes ocorreu depois que Mendonça retirou o sigilo de outros relatórios da Polícia Federal. Esses documentos indicavam que Moraes seria interlocutor de Daniel Vorcaro, dono do Master, e abriram a possibilidade de investigação do ministro.
A decisão de Dino também tornou desnecessária a análise do afastamento de Rodrigues pela 2ª Turma do Supremo. O julgamento havia começado na terça-feira, foi interrompido por Gilmar Mendes e já contava com maioria formada.
O afastamento de Rodrigues levou onze outros diretores da Polícia Federal a divulgar uma carta de apoio e a colocar os cargos à disposição. Depois, a Advocacia-Geral da União pediu a Fachin a suspensão da decisão de Mendonça.
Na terça-feira, ministros aposentados e ex-presidentes do STF também enviaram uma carta a Fachin. Eles pediram uma apuração imediata e rigorosa sobre o que definiram como “mais aguda crise de sua história”.


