A decisão de Edson Fachin de assumir a condução do inquérito das Fake News e suspender medidas de outros ministros ampliou a disputa interna no Supremo Tribunal Federal. O ministro também derrubou os efeitos da ordem de André Mendonça que havia afastado Andrei Rodrigues da direção da Polícia Federal e suspendeu a decisão de Flávio Dino que o reintegrava ao cargo.
Fachin ainda paralisou, até nova decisão, o andamento da petição apresentada por Mendonça para questionar a conduta de Alexandre de Moraes. O ministro convocou uma sessão plenária para 15 de setembro.
Repercussão sobre a eleição
As avaliações divulgadas internacionalmente associaram o confronto no Supremo à eleição presidencial. Uma das análises afirmou que a disputa pode transformar o pleito em um referendo sobre os poderes da Corte, em um cenário que coloca frente a frente Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro.
A divergência entre Moraes e Mendonça também foi descrita como reflexo de uma polarização política mais ampla. Outra avaliação apontou que o embate tornou-se uma questão relevante às vésperas da eleição presidencial do mês que vem.
Moraes foi apresentado como o ministro mais conhecido do Brasil e como principal antagonista de conservadores como o ex-presidente Jair Bolsonaro, em razão de sua atuação contra a desinformação. O inquérito das Fake News, conforme as análises, se expandiu para uma investigação de amplo alcance e colocou o ministro no centro de controvérsias políticas envolvendo políticos de direita e o bilionário Elon Musk.
Banco Master e crise institucional
Mendonça foi descrito como um dos críticos mais duros de Moraes dentro do tribunal e como um dos integrantes mais poderosos da Corte desde fevereiro, quando passou a supervisionar a investigação sobre o Banco Master.
A disputa entre os ministros foi caracterizada como a maior crise do Supremo desde o retorno do Brasil à democracia, há mais de quatro décadas. As instituições brasileiras também foram apontadas como afetadas pela ampliação das investigações sobre o Banco Master e por supostos vínculos entre Daniel Vorcaro, presidente do banco, autoridades do governo e políticos da oposição.
Na quarta-feira, antes da decisão de Fachin, a crise já havia sido descrita como uma guerra aberta entre os ministros do Supremo em plena campanha eleitoral. A avaliação também mencionou um confronto sem precedentes entre integrantes da Corte.


