BELÉM — Familiares das vítimas e sobreviventes do naufrágio da lancha Dona Lourdes II fazem um ato nesta terça-feira (8), na escadinha da Estação das Docas, para lembrar as 23 mortes e pedir justiça. O grupo leva faixas e cartazes e questiona a demora no julgamento do condutor da embarcação.
A lancha naufragou na manhã de 8 de setembro de 2022, em frente à Ilha de Cotijuba, na Baía do Marajó. A embarcação havia saído de um porto clandestino em Cachoeira do Arari. Moradores e pescadores de Cotijuba participaram do resgate dos sobreviventes.
Relatos de passageiros indicaram que a Dona Lourdes II apresentava irregularidades, como equipamentos salva-vidas sem condições de uso. Também foram mencionadas a demora para acionar o socorro e a falta de distribuição de coletes aos passageiros. Um sobrevivente afirmou que houve excesso de pessoas a bordo quando a lancha chegou ao local.
“Se passaram 4 anos e praticamente nada foi feito, o processo encontra-se parado”, disse uma pessoa que perdeu amigos e familiares no naufrágio.
Processo
Marcos de Souza Oliveira, condutor da embarcação e um dos mais de 60 sobreviventes, foi o único indiciado na época. Ele chegou a ser preso por homicídio doloso e risco à navegação, mas foi liberado meses depois, sob medidas cautelares.
Entre as medidas estavam a suspensão da habilitação para pilotar qualquer veículo náutico e o monitoramento eletrônico. Familiares e sobreviventes afirmam que o processo continua sem julgamento.
Depois do naufrágio, ocorreram melhorias no transporte regular entre Belém e Salvaterra, onde fica o principal porto do arquipélago com acesso ao continente. Também houve aumento nas tarifas, descrito como incompatível com o orçamento de famílias marajoaras.


