BOA VISTA — Manifestantes e movimentos sociais participaram nesta segunda-feira (7) do 32º Grito dos Excluídos de 2026, realizado na praça principal do bairro Cidade Satélite, na zona Oeste da capital de Roraima. O ato ocorreu durante as celebrações do Dia da Independência do Brasil e propôs uma discussão sobre conflitos de terra, falta de moradia, violência e direitos das mulheres.
A mobilização manteve o tema “Vida em primeiro lugar” e adotou, neste ano, o lema “Na defesa da terra, da paz e da moradia, erguemos a voz: mulheres vivas e soberania”. Também foram apresentadas pautas contra a escala 6x1 e a migração, além de manifestações em defesa das terras indígenas e da soberania.
Rosé Ferreira, de 66 anos, coordenadora da Comissão para Ação Sócio-Transformadora da Diocese de Roraima, afirmou que o encontro procurou ampliar o debate sobre assuntos que, na avaliação dela, recebem pouca atenção da sociedade. Entre os temas citados estavam a violência de gênero, a reforma agrária e a agricultura familiar.
“A Igreja chama então para que a gente possa fazer essa reflexão”, disse Rosé Ferreira. Ela também mencionou diferentes formas de violência contra as mulheres, incluindo agressões psicológicas, morais, patrimoniais e físicas, além do feminicídio.
A programação previa uma caminhada ao redor da praça, mas a organização cancelou essa parte por causa do calor. Às 17h, a temperatura registrada em Boa Vista era de 32°C. As atividades ficaram concentradas no local, com pronunciamentos de representantes de organizações da sociedade civil.
Participaram do ato o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), o Núcleo de Mulheres de Roraima, o Levante Popular da Juventude e a Frente Brasil Popular.
Histórico da manifestação
Realizado desde 1995, o Grito dos Excluídos reúne pessoas, entidades, igrejas e movimentos sociais ligados a reivindicações de grupos em situação de exclusão. As manifestações abordam temas como preconceito, população em situação de rua, desemprego, baixos salários, violência policial, ataques aos povos indígenas e aos ecossistemas, feminicídio e falta de políticas públicas de assistência social, saúde e educação.


