RIO BRANCO — O ex-tenente da reserva remunerada da Polícia Militar do Acre Reginaldo de Freitas Rodrigues, de 56 anos, será julgado pelo Tribunal do Júri no dia 17 deste mês. A sessão foi agendada pela 1ª Vara Criminal do Fórum Criminal de Rio Branco. Ele é acusado de matar a esposa, Ionara da Silva Nazaré, de 29 anos.
A acusação é de feminicídio com duas qualificadoras: motivo torpe e uso de recurso que dificultou a defesa da vítima. O Ministério Público do Acre também apontou como agravante a presença das duas filhas de Ionara no momento do crime.
Acusação
O assassinato ocorreu em 27 de setembro de 2025, no bairro Mocinha Magalhães. Conforme a acusação, Ionara foi atingida por quatro tiros diante das meninas, que tinham 3 e 7 anos na época. A filha mais velha contou à polícia que escutou os disparos e encontrou a mãe caída no chão, sem vida.
Depois dos tiros, Reginaldo deixou a casa e fugiu. As crianças ficaram sozinhas no imóvel. O acusado foi preso dois dias depois. A arma de propriedade da Polícia Militar, que estava sob seu porte, foi apreendida e encaminhada para perícia balística.
A Justiça do Acre decidiu em março deste ano que Reginaldo deveria ser levado a júri popular. Na pronúncia, o juiz Fábio Alexandre Costa de Farias afirmou que o homicídio ocorreu em contexto de violência doméstica e familiar e ressaltou que Ionara era responsável pelas duas crianças.
A decisão também registrou que o crime teria ocorrido durante uma discussão do casal sobre os valores pagos pelo acusado como pensão alimentícia a um filho de relacionamento anterior. O documento classificou o motivo como fútil e apontou que a forma da ação dificultou a defesa da vítima.
Prisão e investigação
O indiciamento foi emitido em 8 de outubro do ano passado. No relatório final, a Polícia Civil pediu a manutenção da prisão preventiva. Mesmo após se entregar, Reginaldo permaneceu em silêncio durante o interrogatório realizado na Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher.
A Defensoria Pública do Estado pediu a revogação da prisão, mas a Justiça negou. A decisão mencionou a gravidade do crime, a maneira como ele foi cometido, o risco de reiteração e a ausência de fato novo apresentado pela defesa.
Ionara morreu antes da chegada do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência. O inquérito enquadrou o caso no artigo 121 do Código Penal, combinado com a Lei Maria da Penha, Lei 11.340/2006.
Reginaldo se aposentou como 2º tenente em fevereiro de 2018, após mais de 30 anos de serviço. Em 2022, foi reconvocado para atuar na área administrativa do Quartel do Comando-Geral da Polícia Militar do Acre, pela Reserva Remunerada.


