SÃO PAULO — Márcio Chaer, fundador da Consultor Jurídico, morreu neste sábado (3/10), em São Paulo, aos 71 anos. Jornalista, ele construiu uma trajetória dedicada à informação sobre Direito, Justiça e comunicação social.
Chaer criou a revista eletrônica em 1997, ao lado do jornalista João Osório de Melo. Antes disso, havia trabalhado na Veja, no Jornal da Tarde e na Folha de S.Paulo. A iniciativa surgiu quando a internet ainda dependia de conexão discada e os arquivos eram transportados em disquetes entre a redação e a sede do UOL, responsável por hospedar o site em seus primeiros anos.
Mais do que introduzir um novo formato de publicação, Chaer consolidou uma forma específica de cobrir o Judiciário. A ConJur passou a tratar de Direito e Justiça também pelo ponto de vista da defesa, em contraposição à predominância da acusação na cobertura da grande imprensa.
Essa orientação levou o jornalista a defender o direito de defesa mesmo em casos que envolviam acusações graves. A posição provocou críticas, mas também contribuiu para que a publicação conquistasse público e credibilidade.
Cobertura do Judiciário
A ConJur acompanhou episódios como o “mensalão”, a “operação satiagraha” e a “lava jato”. O veículo também denunciou irregularidades associadas à chamada República de Curitiba antes que a “vaza jato” expusesse aspectos da operação. A mesma linha editorial questionou campanhas apresentadas como combate à corrupção quando, na avaliação de Chaer, elas desconsideravam o devido processo legal.
O jornalista defendia que um país economicamente próspero e socialmente justo dependia de um Judiciário forte e respeitado. Por isso, não colocou a ConJur no centro de campanhas contra os penduricalhos nem tratou o escândalo do Banco Master como uma criação do Supremo Tribunal Federal. Para Chaer, havia setores interessados em enfraquecer a instituição por causa de decisões contrariadas.
Com a ConJur e, depois, com o Anuário da Justiça, ele ajudou a apresentar temas jurídicos em linguagem acessível, sem excesso de termos técnicos. Embora fosse frequentemente confundido com um advogado e chamado de doutor, Chaer se definia pelo jornalismo. Também se dedicava a ensinar os mais novos sobre o trabalho de redação e os procedimentos da profissão.



