Escrever sobre Márcio Chaer é difícil porque sua importância não se limita ao jornalismo. Ele foi fundador de uma revista eletrônica especializada em Direito, editor, jornalista e um dos profissionais que ajudaram a transformar a cobertura jurídica no Brasil. Também esteve presente na trajetória de colegas que encontraram nele apoio, confiança e amizade.
Ao longo de mais de três décadas de profissão, Márcio acompanhou de perto a formação de jornalistas, advogados e outros personagens do meio jurídico. Para alguns, abriu espaço para entrevistas, reportagens, artigos e pautas que ajudaram a construir credibilidade. Sua forma de apoiar não dependia de discursos ou promessas: ele lia, avaliava, conversava e publicava quando reconhecia valor no trabalho apresentado.
A revista eletrônica criada por Márcio surgiu em 1997, quando a internet brasileira ainda começava a se desenvolver. Sua contribuição foi perceber que o Direito precisava ser tratado como notícia, com atenção aos fundamentos, às teses, aos efeitos e à importância das decisões para a sociedade. Ao longo do tempo, o projeto reuniu decisões, entrevistas, debates, artigos, publicações especiais e anuários, formando um registro da vida institucional brasileira.
Márcio também teve papel decisivo na trajetória de um jornalista ligado ao programa Questão de Justiça, apresentado por Hilda Ciglioni. As entrevistas produzidas pelo programa encontraram espaço na publicação dirigida por ele e ajudaram a fortalecer o trabalho do apresentador. A relação prosseguiu durante o período em que ele atuou como assessor de imprensa do Instituto dos Advogados de São Paulo, o Iasp, e nas campanhas da advocacia paulista.
Nesse percurso, estiveram presentes Rubens Approbato Machado, Carlos Miguel Aidar, Luiz Flávio Borges D’Urso e o desembargador Henrique Nelson Calandra. Márcio acompanhou essas fases como jornalista, editor, interlocutor e amigo. Conhecia o ambiente jurídico, mas mantinha o olhar voltado para a notícia, para o conteúdo e para o interesse do leitor.
A relação também alcançou a família Ciglioni. Márcio conheceu Hilda, respeitou seu trabalho e manteve com ela uma relação de confiança e amizade. Também foi próximo de Waldemar Ciglioni. Quando Beatriz nasceu, foi Márcio quem primeiro deu a notícia. O episódio resume uma convivência que ultrapassou o vínculo profissional.
A lembrança de Márcio permanece associada às conversas, às entrevistas, às campanhas da OAB, ao Iasp e aos momentos de formação no jornalismo jurídico. Sua personalidade forte e direta não impedia a amizade; ao contrário, fazia parte da confiança construída ao longo do tempo.
Depois de 35 anos de jornalismo, fica o reconhecimento de que nenhuma carreira é construída sozinha. Márcio ajudou a abrir caminhos, publicou trabalhos, acompanhou mudanças profissionais e acreditou em pessoas que ainda buscavam seu espaço. Sua contribuição ao jornalismo jurídico permanece nas publicações, nos anuários, no acervo construído e na memória de quem conviveu com ele.
Mais do que o editor e o jornalista, permanece a lembrança do amigo que esteve presente em momentos decisivos. A obra profissional será preservada, mas sua presença também continuará nas histórias pessoais daqueles que dividiram com ele trabalho, confiança e afeto.

