Márcio Chaer, jornalista e fundador da revista eletrônica Consultor Jurídico, era conhecido por criticar obituários que, na sua avaliação, se limitavam a elogiar pessoas mortas. A lembrança aparece em um relato de uma colega que trabalhou com ele por mais de 20 anos.
Em 2009, após a morte do professor Goffredo da Silva Telles Jr., Chaer repreendeu a colega por ela não ter atendido ao telefone. Ele havia escrito um texto sobre o professor que começava com a frase: “Serenamente.” O relato também menciona uma homenagem posterior à Carta aos Brasileiros, escrita por Goffredo e associada ao processo de redemocratização do país.
A relação profissional entre os dois começou em novembro de 2000. Recém-formada pela Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), a jornalista conheceu a ConJur por intermédio de Aílton Segura, jornalista e professor da UFMT que havia trabalhado com Chaer na Gazeta Mercantil. Ela passou uma semana em São Paulo para conhecer a publicação, que Chaer preferia chamar de revista eletrônica, e não de site.
Na primeira conversa, o jornalista explicou sua visão sobre o direito de defesa com a frase: “um ovo não cabe na caixa de fósforo”. Na época, ela tinha 24 anos. A equipe era formada inicialmente pela repórter, por Daniel Tannus, editor, e por estagiários que permaneciam por pouco tempo. Depois da saída de Tannus, ela assumiu a editoria.
Trabalho na redação
A equipe produzia notícias jurídicas e publicava decisões recebidas por fax. Quando já tinha recebido uma informação por telefone, Chaer aguardava a impressão do documento e dividia o material com a colega para que a notícia fosse digitada rapidamente e publicada com a íntegra.
Mais tarde, ela herdou de Chaer a coluna Leis & Negócios, da revista Exame, e passou a escrever também Por dentro da Lei, da Exame PME. A transição foi tratada em um almoço com Beto Caetano, editor da coluna, e Claudia Vassalo, diretora de redação.
Entre as lembranças da redação está uma brincadeira feita por Chaer após a colega receber flores. Usando o computador da jornalista Fernanda Ederlyi e uma mensagem no MSN, ele fingiu ser a colega e escreveu: “Muito bonito, dona Débora! Mandando flores pra si mesma”.
A última conversa entre os dois ocorreu em 19 de agosto deste ano, quando Chaer embarcava para a posse do presidente do STJ, Luis Felipe Salomão. O relato termina com uma frase que ele costumava usar ao editar textos: “pra que tantas palavras?”

