São Paulo, Terça-feira, 13 de outubro de 2026
Dólar R$ 4,99 · Euro R$ 5,58 · Ibovespa 209.067 -0,00%
Notícia com critério
Saúde

Testes genéticos ainda não chegam a muitos pacientes com câncer

Falhas na biópsia, protocolos desatualizados e o custo dos remédios dificultam o acesso a terapias direcionadas a mutações tumorais.

Testes genéticos ainda não chegam a muitos pacientes com câncer
Foto: NYT

GRAND RAPIDS, MICHIGAN — A identificação de mutações no tumor pode abrir caminho para medicamentos que substituem ou complementam a quimioterapia, mas muitos pacientes não chegam a fazer os testes necessários. O acesso também é limitado pelo preço dos remédios, pela atualização lenta dos protocolos hospitalares e pela dificuldade de acompanhar a quantidade de tratamentos aprovados recentemente.

Um caso de mudança no tratamento

John Ebers, apicultor comercial de 46 anos, recebeu inicialmente quimioterapia depois de descobrir um câncer colorretal em estágio 3. O tratamento foi prescrito no Cancer & Hematology Centers, em Grand Rapids, Michigan, onde a clínica o considerava o padrão para a doença. Para Ebers, porém, a quimioterapia era quase impossível de suportar.

A investigação genética só ocorreu depois que ele procurou uma segunda opinião na Mayo Clinic. Após oito primeiras sessões de quimioterapia e outras 28, além de radioterapia e cirurgia, Ebers estava muito emagrecido e acreditava que teria apenas mais dois anos de vida. Na consulta, o oncologista Hao Xie informou que havia uma lesão no pulmão e que o câncer havia chegado ao estágio 4.

Quando a lesão ficou grande o suficiente para permitir uma biópsia, Xie enviou as células para análise. O exame revelou uma mutação presente em apenas 2% a 4% dos cânceres de cólon, mas que poderia ser tratada com uma terapia-alvo. Alguns tumores de Ebers pararam de crescer, enquanto outros passaram a crescer lentamente. Ele voltou a se exercitar e tem outra terapia-alvo disponível caso o tratamento atual deixe de funcionar.

Onde o acesso é interrompido

Christopher Lieu, do Centro de Câncer Anschutz da Universidade do Colorado, afirma que os testes de biomarcadores poderiam indicar medicamentos capazes de atacar o câncer com maior precisão. Eles são especialmente relevantes para pacientes que não querem fazer quimioterapia, que têm reações ruins ao tratamento ou cujo câncer se espalhou.

O percurso, no entanto, pode falhar em várias etapas. A equipe médica pode não realizar uma biópsia, a amostra pode não conter células suficientes ou o material pode não ser enviado ao laboratório. Mesmo com o resultado em mãos, o medicamento correspondente à mutação pode não ser prescrito.

Um representante do Cancer & Hematology Centers declarou que, para pacientes com câncer colorretal, os testes eram recomendados no momento do diagnóstico de metástase, e não no diagnóstico inicial ou nos estágios iniciais da doença.

Paul Mischel, médico e cientista da Universidade Stanford, resumiu a distância entre o conhecimento disponível e a estrutura necessária para aplicá-lo: “Mas a infraestrutura está realmente desmoronando.” Entre as razões estão a aprovação frequente de novos tratamentos e o tempo necessário para que hospitais alterem seus protocolos.

Custo e desigualdade

O preço também pode impedir o tratamento. Segundo David Gerber, especialista em câncer de pulmão do Centro Médico Southwestern da Universidade do Texas, um comprimido pode custar US$ 10 mil (cerca de R$ 49 mil) ou mais por mês. O Medicare estabelece um limite anual para coparticipações, mas pessoas sem plano de saúde ou com seguro privado podem receber contas capazes de levá-las à falência.

Gerber afirma que sua equipe procura programas de assistência financeira, embora o apoio nem sempre seja obtido ou chegue a tempo para pacientes com câncer metastático. Pesquisas associam a falta de acesso a fatores econômicos e demográficos. Pessoas pobres, negras ou hispânicas, sem plano de saúde ou beneficiárias do Medicaid estão entre as que mais provavelmente não recebem tratamentos inovadores.

A Administração de Alimentos e Medicamentos dos Estados Unidos, a FDA, aprovou, em média, um novo tratamento contra o câncer por semana nos últimos cinco anos. Médicos dizem que esse ritmo dificulta o acompanhamento das opções disponíveis.

Resultados em diferentes tumores

As terapias-alvo transformaram o tratamento do câncer de pulmão. Matthew Meyerson, pesquisador do Instituto de Câncer Dana-Farber, afirma que pacientes com câncer de pulmão metastático hoje podem sobreviver por cinco, dez ou 20 anos. Roy Herbst, especialista em câncer de pulmão e diretor do Centro de Câncer Dartmouth, diz que há dezenas de medicamentos voltados para 12 a 14 mutações associadas à doença.

Ainda assim, um estudo apontou que 34% dos pacientes com câncer de pulmão de não pequenas células nunca fizeram testes genéticos dos tumores. O mesmo ocorreu com 60% dos pacientes com câncer de mama metastático, 50% dos homens com câncer de próstata metastático e 49% dos pacientes com câncer de pâncreas metastático.

No câncer de cólon metastático, as diretrizes recomendam testes para cinco mutações. Mesmo assim, apenas 51% dos pacientes fizeram os exames, de acordo com um artigo recente. Ebers passou por essa investigação somente depois da segunda opinião. Ele não está curado, mas afirma que não tem medo: “Estou apostando em mim”.

Texto produzido pela Redação Caderno Atual com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

Entre na nossa newsletterO melhor da semana, sem spam.