PITTSBURGH — A falta de cobertura pelos planos de saúde é um dos principais obstáculos para ampliar programas estruturados de exercícios destinados a pessoas com câncer. Atualmente, essas iniciativas estão concentradas nos principais centros oncológicos e dependem de doações ou do pagamento direto dos pacientes, o que restringe o acesso de pessoas de baixa renda e de quem vive longe dessas unidades.
As evidências sobre os benefícios da atividade física vêm se acumulando. Um ensaio clínico randomizado e controlado acompanhou, durante três anos, pacientes com câncer de cólon que participaram de um programa supervisionado por treinador. O grupo apresentou menor probabilidade de recidiva e melhor qualidade de vida. Após oito anos, 90% dos participantes estavam vivos, contra 83% no grupo de controle.
Uma análise posterior calculou em US$ 3.000 (cerca de R$ 15 mil) o custo total do programa por pessoa e identificou economia para o sistema de saúde. A redução de hospitalizações, idas ao pronto-socorro e consultas não programadas também foi usada para defender a inclusão desse tipo de atendimento na cobertura dos planos.
As diretrizes passaram a recomendar que oncologistas orientem pacientes com câncer de cólon a realizar pelo menos 150 minutos semanais de exercícios de intensidade moderada a alta. Ainda assim, não há um mecanismo nos planos de saúde para financiar os programas.
Na prática, os pacientes precisam de acompanhamento para avançar gradualmente até uma rotina mais intensa e mantê-la. Lee Colker, 66, participa de sessões virtuais com a treinadora Olivia Masten desde que começou, neste ano, um ensaio clínico para câncer renal metastático. Ele relatava fadiga imprevisível e névoa mental e afirma que o programa foi decisivo.
A iniciativa Moving Through Cancer, dirigida por Kathryn Schmitz, adapta o atendimento às condições de cada paciente. Alguns precisam de apoio mais frequente; outros conseguem retomar atividades por conta própria. “O exercício não é apenas uma questão de biologia”, diz Schmitz. “Também é uma questão de comportamento.”
Kimberly Barker, 68, começou o acompanhamento depois do tratamento de câncer de bexiga e de útero, que foi seguido por dores na lombar e no quadril e por fadiga. Ela se encontrou com Masten uma vez por semana durante 12 semanas e manteve os exercícios depois do encerramento do programa. Com isso, voltou a andar de bicicleta com o marido.
Há também iniciativas em outros centros. No Dana-Farber Cancer Institute, em Boston, pacientes são encaminhados a um centro de terapias alternativas, com treinadores e aulas presenciais e online. Na Universidade da Califórnia em São Francisco, alguns são direcionados à fisioterapia e à reabilitação. Unidades da YMCA oferecem um programa gratuito ou de baixo custo, com duração de 12 semanas, para sobreviventes de câncer.
O UPMC decidiu oferecer o programa pelo plano de saúde de seus funcionários a pacientes com câncer de mama a partir do próximo ano. Segundo Schmitz, será a primeira cobertura de plano de saúde do país voltada à oncologia do exercício. Se a experiência for bem-sucedida, a expansão para todos os tipos de câncer está planejada para 2028.


