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Hospital do Grajaú registra 269 atendimentos por violência contra mulheres

Supervisora de enfermagem relata como a equipe identifica suspeitas, protege pacientes e organiza o atendimento após agressões.

Hospital do Grajaú registra 269 atendimentos por violência contra mulheres
Foto: Rafaela Araújo/Folhapress

O Hospital Geral do Grajaú registrou 269 atendimentos relacionados à violência contra a mulher desde o ano passado até agosto de 2026, segundo o Instituto de Responsabilidade Social do Sírio-Libanês (IRSSL). A média no período foi de três casos por semana na unidade, que é referência para esse tipo de atendimento.

A supervisora de enfermagem Michelle Sousa, 36, começa a rotina por volta das 7h45 perguntando à equipe se há algum caso de violência no hospital. A frequência varia: pode haver de uma a quatro ocorrências na mesma semana ou um caso a cada quinze dias. Finais de semana, feriados e o fim do ano influenciam os números.

Um estudo da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) aponta que ao menos 15 mulheres são internadas diariamente em hospitais do Brasil em decorrência de violência doméstica.

Identificação dos casos

Michelle diz que as pacientes costumam chegar com lesões graves, como politraumatismos, ferimentos na cabeça e alterações no rosto. “Isso toca a gente”, afirma. Algumas chegam sozinhas, acompanhadas por familiares ou pelo próprio agressor. Também podem ser levadas por ambulância, carro ou entrar pelo pronto-atendimento. Mulheres grávidas vítimas de agressão também são atendidas.

Como o hospital é uma unidade de referência, os casos recebidos pela equipe costumam ter maior gravidade. Ainda assim, Bianca Miranda, diretora médica do IRSSL, afirma que todos os serviços do Sistema Único de Saúde (SUS), incluindo Unidades Básicas de Saúde (UBSs) e Unidades de Pronto Atendimento (UPAs), seguem um protocolo para atender vítimas de violência.

O primeiro contato geralmente ocorre na triagem, feita por profissionais de enfermagem. A mulher pode relatar a agressão ou mencionar apenas os sintomas. Postura retraída, medo, ansiedade, choro, voz trêmula, tremores e maior sensibilidade emocional podem levantar suspeita. Dores sem causa específica e ferimentos incompatíveis com a história apresentada também são sinais de alerta.

Michelle relata o caso de uma mulher que chegou ao pronto-socorro com o marido após um acidente de carro. A paciente apresentou versões diferentes sobre o que havia acontecido, e as lesões não correspondiam à narrativa. As equipes de serviço social e psicologia foram chamadas. Depois, ela contou que uma discussão dentro do veículo havia sido seguida de agressões e do acidente.

Proteção e continuidade do cuidado

A equipe também observa quando um acompanhante tenta responder pela paciente ou falar em seu lugar, além de casos de procura repetida por serviços de saúde com queixas sem causa definida.

Quando há suspeita ou confirmação de violência, a paciente recebe uma pulseira de outra cor para ter prioridade e pode ser encaminhada a uma sala reservada. A medida permite que os profissionais sigam um fluxo específico sem questionamentos repetidos sobre o motivo da ida ao hospital, com o objetivo de evitar a revitimização. A mulher pode escolher ficar sozinha ou acompanhada e restringir a entrada do agressor.

As lesões e demais informações são registradas detalhadamente no prontuário eletrônico. O documento pode respaldar futuras medidas da paciente, caso ela decida registrar um boletim de ocorrência.

Após o tratamento dos ferimentos, a mulher é atendida pelas equipes de serviço social e psicologia. O serviço social apresenta direitos e caminhos legais, sem impor uma decisão. O hospital também coordena a alta, com encaminhamento para acompanhamento na UBS, serviços especializados em violência sexual ou abrigos, quando a paciente não puder ou não quiser voltar para casa.

Bianca afirma que as mulheres devem procurar ambientes seguros e atendimento físico ou psicoemocional específico. Michelle diz que a equipe busca fazer do hospital uma rede de apoio para que as pacientes se sintam seguras e acolhidas.

Texto produzido pela Redação Caderno Atual com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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