PRAIA GRANDE — A Justiça determinou que o padre Jucelino de Oliveira mantenha distância mínima de 300 metros das vítimas e não estabeleça contato com elas por qualquer meio. Também ficou proibido que ele frequente locais regularmente usados pelos jovens. As medidas foram adotadas após a prisão do religioso, investigado por estupro de vulnerável.
Jucelino foi detido na noite de sexta-feira (4), quando agentes da Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) de Praia Grande cumpriram um mandado judicial. A investigação está sob sigilo. O caso envolve uma jovem de 19 anos e o namorado dela, de 18 anos, ambos coroinhas e maiores de idade. Os nomes não foram divulgados.
Relato apresentado à polícia
A jovem declarou que ela e o namorado frequentavam havia aproximadamente três meses uma igreja onde o padre atuava. Segundo o depoimento, os dois também o acompanhavam em missas realizadas em outros templos e recebiam convites para ir à casa dele.
Ela afirmou que Jucelino oferecia bebidas alcoólicas ao casal e insistia para que consumissem, mesmo depois de ser informada de que tinha problemas com bebida. Em uma visita, o padre teria encostado a genitália na perna dela durante um abraço. Depois, quando o namorado estava com a cabeça abaixada e aparentava sonolência, ele teria colocado as mãos por dentro da blusa e do sutiã da jovem.
Ainda conforme o relato, o padre pediu que os dois descansassem em um quarto e, mais tarde, chamou a mulher para beber novamente. Ela disse que recusou. Também relatou ofertas de presentes e ajuda financeira, como o pagamento da carteira de motorista e a compra de materiais para a abertura de um salão de beleza. Jucelino teria sugerido que o casal morasse na casa dele.
Defesa e atuação religiosa
O advogado João Paulo Silva Rocha afirmou que a prisão tem “natureza temporária e exclusivamente cautelar” e que não representa condenação nem permite conclusão antecipada sobre a responsabilidade do investigado. A defesa pediu a revogação da prisão e sua substituição pelas medidas cautelares já determinadas.
Jucelino administra a Casa Pime, em Praia Grande, espaço ligado ao Pontifício Instituto das Missões Exteriores, instituto missionário nascido na Itália. Ele celebra missas na capela São João Batista, no bairro Solemar, e na igreja Nossa Senhora Auxiliadora, no Jardim Imperador.
A Diocese de Santos informou que tomou conhecimento do cumprimento do mandado e disse confiar no trabalho da Justiça. A instituição acrescentou que adotará as providências canônicas cabíveis.


