CUIABÁ — A Operação Fariseus, da Polícia Civil, investiga uma família de missionários por suspeitas de oferecer apoio logístico, financeiro e de comunicação ao Comando Vermelho. Entre os alvos estava o pastor Nivaldo de Almeida, que morreu neste sábado (5), em Cuiabá, após complicações de um câncer.
A investigação começou depois de uma denúncia anônima relatar que integrantes da família usariam um projeto religioso para acessar a Penitenciária Central do Estado (PCE), em Cuiabá. Segundo a apuração, celulares, carregadores e outros objetos proibidos teriam sido entregues a presos do raio de segurança máxima.
Nivaldo e a esposa, a pastora Orminda Carlos de Barcelos Almeida, foram alvo de mandados de busca e apreensão. A filha do casal, a missionária Rhavenna Barcelos de Almeida, foi presa preventivamente. O enterro de Nivaldo ocorreu na manhã deste domingo (06).
Suspeitas investigadas
A operação foi realizada no dia 16 de julho e também determinou quebras de sigilos telefônico, bancário e telemático. Houve ainda suspensão temporária do acesso dos investigados a unidades prisionais por meio de ações religiosas.
Conforme a Polícia Civil, a atividade missionária em presídios teria servido para manter contato com detentos, transmitir recados, aproximar familiares e lideranças criminosas e movimentar recursos supostamente ligados à organização com atuação no Rio de Janeiro. Os investigados respondem por suspeitas de integrar organização criminosa, corrupção de menor, tortura e lavagem de dinheiro.
Videochamadas entre mulheres ligadas ao projeto e integrantes da facção estão entre as provas. Em um dos registros, um líder foragido aparece em uma chamada enquanto um comparsa dispara tiros de fuzil em uma comunidade. Conversas também mencionam um pedido de “salve” contra um homem acusado de furto e a negociação de uma arma escondida em uma propriedade rural usada pela família.
A Polícia Civil afirma que os elementos reunidos apontam vínculos pessoais, financeiros e de comunicação com integrantes da organização criminosa. A participação individual de cada investigado ainda será definida. Rhavenna é apontada como responsável por usar a estrutura familiar para facilitar contatos e oferecer suporte a lideranças presas e foragidas.


