SANTOS — Mensagens trocadas entre Alicia Garcez e João Pedro Santos Alves, pais de uma bebê de 4 meses que morreu em Santos, registram relatos da mãe sobre ferimentos na criança antes da internação. Em uma das conversas, Alicia afirmou que a menina estava machucada na orelha e demonstrava incômodo quando alguém tocava no local.
A bebê morreu em 25 de agosto, dois dias depois de ser internada na Santa Casa de Santos. Ela apresentava hemorragia subaracnóidea, fratura no crânio e hematomas em outras partes do corpo. O registro policial indicou que as marcas eram anteriores ao episódio que levou à hospitalização.
As conversas integram a investigação da Polícia Civil. Em outro trecho, Alicia enviou fotos da menina com hematomas e escreveu: “tá roxa de novo”. João Pedro pediu desculpas e disse que não voltaria a brincar com a filha. A mãe também questionou o fato de a criança chorar quando estava com ele.
Alicia afirmou que a perda interrompeu momentos do desenvolvimento da filha. “Ele tirou tudo de mim, sabe? As primeiras palavras, risadas, passos, tudo”, disse. Ela declarou ainda que nenhuma punição compensaria a morte da bebê, mas espera que sejam adotadas todas as medidas possíveis.
Defesa
O escritório Ochsendorf, Campos & Cabrera Advogados, que representa João Pedro, informou que aguarda a complementação do laudo pericial e analisa os elementos técnicos do caso. A defesa sustenta que a morte foi causada por um acidente e que não houve intenção de João Pedro de matar a filha.
Os advogados afirmaram que os aspectos técnicos e circunstanciais serão esclarecidos durante o processo, quando a dinâmica dos fatos deverá ser demonstrada.
Investigação
A bebê foi levada à Santa Casa em 23 de agosto. No primeiro depoimento, ainda no hospital, os pais disseram que ela havia caído de um carrinho. Depois, na delegacia, o pai mudou a versão e declarou que a menina caiu de seu colo e que, ao tentar segurá-la, acabou empurrando a criança contra o chão. Ele era o único familiar responsável por ela no momento em que se feriu.
João Pedro é investigado por homicídio qualificado e está foragido da Justiça. A Justiça recebeu a denúncia do MP-SP na última terça-feira (15) e decretou a prisão preventiva. Antes disso, ele havia sido detido e liberado em audiência de custódia.


