A Polícia Federal investiga o deputado Cezinha de Madureira (PL) e a advogada Valéria Linhares, mulher dele, por suspeita de cobrar dinheiro em troca da promessa de influenciar decisões judiciais em tribunais superiores. A operação foi autorizada pelo ministro Flávio Dino em 5 de setembro e apura possíveis crimes de corrupção, lavagem de dinheiro, tráfico de influência e exploração de prestígio.
A investigação é derivada de um inquérito sobre o destino de emendas parlamentares. Em dezembro de 2025, a PF apreendeu o celular de Mariângela Fialek, conhecida como Tuca, advogada e ex-assessora do deputado Arthur Lira (Progressistas). As conversas encontradas no aparelho levaram os investigadores até Cezinha.
No relatório que fundamentou a operação de segunda-feira (14), a PF afirmou que os diálogos indicam uma atuação conjunta e contínua de Mariângela, Valéria e Cezinha para comercializar influência junto a ministros do Supremo Tribunal Federal, do Superior Tribunal de Justiça e do Tribunal Superior Eleitoral. Conforme o documento, os pagamentos seriam definidos por contratos de honorários e de cessão de crédito.
Ministros não são investigados
A decisão de Flávio Dino menciona tentativas de marcar encontros de Cezinha com os ministros do STF André Mendonça, Kassio Nunes Marques e Gilmar Mendes, por meio de Guiomar Feitosa, ex-esposa do deputado, e com Antônio Carlos Ferreira, do STJ. O documento não esclarece se as reuniões ocorreram.
Dino afirmou que Cezinha “aparenta utilizar a ascendência de sua função parlamentar para incutir a percepção de influência sobre magistrados de tribunais superiores”. A decisão também registra que os ministros citados não são investigados e aparecem apenas como destinatários da influência atribuída aos investigados.
Em agosto, a PF apreendeu R$ 510 mil na bagagem de mão de Valéria, no Aeroporto de Congonhas. Os investigadores apuram se o dinheiro tem relação com o suposto esquema.
No domingo (13), Cezinha afirmou em uma rede social que teve o celular furtado na sexta-feira (11). Para a PF, o episódio pode indicar vazamento da operação.
A defesa do deputado declarou, em nota divulgada nesta segunda-feira (14), que ele está à disposição das autoridades e que os fatos serão esclarecidos, com a demonstração de que não houve irregularidade. O PL afirmou que Cezinha tem a confiança do partido e que o caso será esclarecido com respeito ao devido processo legal. A defesa de Valéria não se manifestou.


