O procurador-geral da República, Paulo Gonet, deve participar da sessão do Supremo Tribunal Federal que analisará o relatório sobre a relação entre o ministro Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Gonet pretende se manifestar e avalia usar a sessão para negar proximidade com Vorcaro.
O chefe do Ministério Público Federal pediu, no último dia 1º, a anulação do relatório. Ao questionar o caso, afirmou que o relator, André Mendonça, teria recorrido à polícia para impor uma investigação contra um colega. Gonet também sustentou que juiz não deve acusar nem conduzir investigações pré-processuais.
Mudança na condução do caso
Antes da sessão, a Procuradoria-Geral da República retirou de Gonet a responsabilidade direta pelos processos relacionados às fraudes atribuídas ao Banco Master e criou um grupo de trabalho. A coordenação ficou com o vice-procurador-geral da República, Hindenburgo Chateaubriand, e o subprocurador-geral Edílio Magalhães Teixeira. André de Carvalho Ramos também passou a atuar nos trabalhos.
A reorganização ocorreu enquanto o presidente do STF, Edson Fachin, defendia que Gonet se afastasse do caso e não participasse da sessão. Fachin chegou a considerar a possibilidade de determinar judicialmente o afastamento, mas optou por deixar a decisão a cargo do próprio procurador-geral.
Gonet esteve no gabinete da presidência do STF na última quinta (10) e conversou com Fachin por cerca de meia hora. O ministro sugeriu que outro representante da PGR participasse da sessão, com Chateaubriand entre as opções consideradas. Gonet não apresentou uma resposta definitiva naquele encontro.
Mensagens atribuídas a Vorcaro mencionam Gonet. Em parte dos diálogos, o advogado Ciro Soares encaminha ao ex-banqueiro mensagens atribuídas ao procurador. Em outros trechos, Vorcaro pede a Moraes que acione Gonet e o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, para impedir uma operação contra o banco.
Pessoas próximas ao procurador-geral dizem que ele conversou com Vorcaro apenas uma vez, antes de o caso se tornar público, e que não mantinha relação próxima com o ex-banqueiro. Gonet também afirma nunca ter sofrido tentativa de interferência em investigações sobre o Master.
No último dia 3, o Conselho Superior do Ministério Público Federal abriu procedimento para apurar as menções ao procurador-geral nas mensagens. Gonet pretende usar a apuração para responder a alegações de suspeição.

