SÃO PAULO — Uma experiência de venda na Avenida Paulista ajudou a testar o potencial de um estúdio de terrários que hoje combina paisagismo, arte e referências aos orixás. Com cerca de 25 peças no porta-malas, Edu e Will venderam aproximadamente dez unidades no primeiro dia e recuperaram imediatamente o investimento inicial de R$ 450.
Os terrários são pequenos ecossistemas montados em recipientes de vidro, com paisagens em miniatura. A atividade começou como hobby e ganhou identidade própria quando a dupla decidiu criar peças inspiradas nos orixás. O tema passou a ser o principal motor de crescimento da empresa.
“Não queria reproduzir modelos já existentes. Cada peça precisaria carregar sua assinatura artística”, afirma Edu, arquiteto e designer de interiores de formação. Para ele, o trabalho reúne criatividade, paisagismo e produção manual. “O nosso planeta dentro do vidro”, define.
Uma identidade construída nas redes
A procura por representações de orixás partiu dos clientes. Em vez de tratar a demanda apenas como uma linha de produtos, o estúdio incorporou o aspecto artístico das peças à sua estratégia. Will afirma que a especialização foi a principal virada do negócio: “Hoje somos especializados nos terrários dos orixás. Nossa grande virada como negócio aconteceu exatamente por causa deles”.
A empresa também passou a produzir miniaturas avulsas, oferecer cursos e desenvolver peças personalizadas a partir de fotos enviadas pelos clientes. Segundo os empreendedores, 98% das vendas são feitas online, com as redes sociais como principal canal de relacionamento.
A comunicação apresenta as histórias ligadas às peças, os bastidores da produção e tendências que possam dialogar com o público. Uma das ações aproveitou o lançamento de um álbum de Anitta: Edu criou miniaturas baseadas no universo visual da cantora e as incorporou aos terrários. Os vídeos tiveram repercussão nas redes e chegaram à artista, que interagiu com o conteúdo.
Expansão além de São Paulo
A operação, que começou em um apartamento, reúne sete pessoas e produz cerca de 300 terrários por mês. O tíquete médio é de R$ 175, e o faturamento mensal chegou a R$ 100 mil em períodos de pico.
A logística foi o principal obstáculo para ampliar as vendas. Durante três anos, os pedidos ficaram restritos a São Paulo, por causa da fragilidade do vidro e das plantas. Após testes, a empresa adotou embalagens com plástico-bolha e caixas reforçadas. Com o novo sistema, passou a atender outras regiões; cerca de 60% dos terrários vendidos atualmente são enviados para fora do estado.
Edu permanece à frente da criação artística, enquanto Will responde pela gestão, pelo marketing e pela estratégia digital. Os primeiros clientes haviam sido conquistados entre vizinhos, antes do teste na Paulista. Para Will, a expansão ainda está no início.


