DISTRITO FEDERAL — Adalberto Souza da Anunciação passou cerca de um ano internado à espera de um coração. Aos 33 anos, ele recebeu o órgão em 5 de fevereiro de 2025, no Instituto de Cardiologia e Transplantes do Distrito Federal (ICTDF), depois de enfrentar sucessivas internações e a piora da função cardíaca.
Os primeiros sinais surgiram de forma repentina, com mal-estar e fraqueza. Após procurar um clínico geral e realizar exames, Adalberto foi orientado a consultar rapidamente um cardiologista porque seu coração estava aumentado. Ele ficou 28 dias no Hospital de Base do Distrito Federal (HBDF) e, depois, cerca de 20 dias no Hospital Santa Helena.
Em uma nova internação, recebeu a informação de que não poderia voltar para casa antes do transplante. “Eu ia sair do hospital agora só depois do transplante. Que meu coração não tava aguentando mais”, relembrou.
Após a cirurgia, Adalberto afirma que está se recuperando bem, mantém o uso das medicações e voltou ao trabalho. Segundo ele, também passou a realizar sonhos que tinha antes da doença. “A doação de órgão salva vidas”, disse.
Quem aguarda na fila
Até 31 de agosto, havia 1.902 pessoas nas listas de espera por transplantes de órgãos e córneas no Distrito Federal, conforme a Secretaria de Saúde. A maior parte aguardava por rim, com 991 candidatos. A lista também reunia 830 pessoas à espera de córnea, 43 de fígado e 38 de coração.
Em 2025, a rede pública do Distrito Federal realizou 38 transplantes cardíacos. A ordem de chegada não é o único critério para definir a distribuição dos órgãos, segundo o cardiologista Hugo Faria. A seleção considera a urgência clínica, a compatibilidade sanguínea, o tamanho adequado do órgão e o tempo de espera.
Depois do procedimento, o paciente precisa manter acompanhamento regular, usar medicamentos contra a rejeição por toda a vida e adotar cuidados para prevenir infecções. Com a recuperação, pode retomar atividades do cotidiano, o trabalho e exercícios físicos, conforme a orientação da equipe médica.
Decisão da família
O Dia Nacional da Doação de Órgãos é celebrado neste domingo (27). No Brasil, a autorização dos familiares é necessária para que a doação ocorra após a morte.
O cardiologista afirma que conversar previamente com a família sobre o desejo de ser doador pode reduzir dúvidas em um momento de perda. Para ele, a decisão deve ser tomada com informação, sem pressão, e com acolhimento aos familiares.
Para ser doador, é fundamental comunicar essa vontade à família, já que a manifestação dos parentes define a autorização da doação após a morte.


