SÃO PAULO — O ato político liderado pelo senador Flávio Bolsonaro (PL) na avenida Paulista reuniu 28 mil pessoas, segundo cálculo do Monitor do Debate Político do Cebrap e da ONG More in Common. A medição foi feita às 16h32, no pico da manifestação, com imagens de drones e sistemas de inteligência artificial. O evento começou por volta das 15h e terminou às 17h.
Antes do comício, manifestantes de esquerda entraram em confronto com um grupo que chegava para a manifestação de direita, na esquina das alamedas Peixoto Gomide e Santos. A Polícia Militar e a Guarda Civil Metropolitana informaram que intervieram para conter os grupos. Imagens divulgadas nas redes sociais mostraram o uso de bombas de gás lacrimogêneo.
O ato também serviu de plataforma para a campanha de Flávio à Presidência. Equipes do Republicanos, do PL e do PP distribuíram material eleitoral. O público calculado foi menor que o registrado em manifestações anteriores: 42,2 mil pessoas no ano passado e 45,4 mil em 2024. A Defesa Civil informou temperatura máxima de 13°C, a tarde mais fria em São Paulo em setembro desde o ano 2000.
Apoio a Mendonça
Apoiadores levaram cartazes em defesa do ministro do Supremo Tribunal Federal André Mendonça, relator do caso Master. Na terça-feira (1º), ele havia retirado o sigilo de um relatório da Polícia Federal com diálogos entre Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Em despacho no inquérito das fake news, Moraes pediu que Mendonça fosse investigado por abuso de autoridade, improbidade administrativa e crime de responsabilidade.
O deputado Gustavo Gayer (PL-GO), candidato ao Senado, pediu aplausos para Mendonça. O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), candidato à reeleição, defendeu uma resposta institucional do Supremo para apurar o caso. “Uma resposta institucional é necessária”, afirmou.
Críticas ao ministro
Em seu discurso, Flávio associou Moraes ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e afirmou que existe um “consórcio” entre os dois. Disse ainda que, se for eleito, pretende trabalhar para resgatar a credibilidade do Supremo e que é preciso proteger a Corte de Moraes. “O Supremo não é Alexandre de Moraes”, declarou.
O senador também afirmou que tentariam novamente interferir nas eleições, sem especificar a quem se referia, e comparou a situação à facada sofrida por Jair Bolsonaro durante a campanha de 2018. Chamou o 8 de Janeiro de farsa e mencionou suspeitas envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, filho de Lula.
Nikolas Ferreira (PL) pediu a saída de Moraes e disse que, no próximo ano, Flávio indicaria quatro ministros do Supremo. O deputado também negou ter feito contrato com Vorcaro ou ter recebido pedido para interferir na Polícia Federal e na Procuradoria-Geral da República. Criticou ainda o procurador-geral da República, Paulo Gonet, o diretor da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP).
Silas Malafaia chamou Moraes de ditador e pediu ao presidente do Supremo, Edson Fachin, que afastasse o ministro. O candidato a vice-presidente Alfredo Gaspar (PL) afirmou que não existe Lula sem Alexandre. O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), declarou que o Supremo é o povo brasileiro.
Valdemar Costa Neto, presidente do PL, disse que Jair Bolsonaro ficaria preso mais dez anos se Flávio não fosse eleito. Daniella Marques, ex-presidente da Caixa Econômica Federal durante a gestão Bolsonaro, também discursou. Entre os presentes estavam Douglas Ruas, Sergio Moro, Sóstenes Cavalcante, Guilherme Derrite e André do Prado.
Flávio enfrenta desgastes na campanha por causa do caso Master. Em maio, foi revelado que ele havia pedido dinheiro a Vorcaro para financiar o filme “Dark Horse”, sobre Jair Bolsonaro. O episódio é investigado pela Polícia Federal. Flávio nega irregularidades e não apresentou documentos para comprovar o destino dos valores.


