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Política

Candidatos divergem sobre Brics, EUA e segurança na política externa

Programas e declarações expõem diferenças sobre China, Mercosul, minerais críticos, Israel e operações contra facções criminosas.

Candidatos divergem sobre Brics, EUA e segurança na política externa
Foto: AFP

As campanhas de Lula, Flávio Bolsonaro, Ronaldo Caiado, Renan Santos, Augusto Cury e Romeu Zema apresentam posições distintas sobre a política externa brasileira. As principais divergências envolvem a relação com Estados Unidos e China, o futuro do Brics e do Mercosul, a exploração de minerais críticos e a cooperação no combate a facções criminosas.

A campanha de Flávio Bolsonaro foi a única entre as principais que não respondeu aos questionamentos. As posições do candidato foram apresentadas em seu programa, em entrevista ao podcast da Prager University e em manifestação ao Escritório de Comércio dos EUA.

Brics, China e Mercosul

Lula defende aprofundar a aproximação com o Brics e com o Sul Global, além de ampliar transações em moedas locais entre os países do bloco. Também quer usar o Mercosul como principal instrumento de integração econômica, rejeita a transformação do tratado em uma área de livre comércio e propõe um mercado comum sul-americano de energia.

Flávio Bolsonaro afirma que avaliará a permanência do Brasil no Brics e defende flexibilizar o Mercosul para permitir acordos bilaterais com os Estados Unidos. Zema propõe retirar o país do Brics, mas preservar as relações comerciais com seus integrantes. Ele também quer transformar o Mercosul em uma zona de livre comércio.

Caiado não defende a saída do Brics, mas quer que o bloco seja usado de forma instrumental. Seu programa prevê a flexibilização do Mercosul para acordos bilaterais. Renan Santos também rejeita a retirada do bloco, embora defenda uma participação limitada e critique sua aproximação com a política externa chinesa. Ele propõe reduzir tarifas do Mercosul em quatro anos, sem permitir negociações independentes por cada país.

Cury quer manter o Brasil no Brics como plataforma de comércio e financiamento, mas retirar do bloco a agenda geopolítica. Também defende permitir acordos de livre comércio em velocidades diferentes entre os integrantes do Mercosul.

Facções e OCDE

Lula propõe aprofundar a cooperação de segurança com os Estados Unidos, com compartilhamento de inteligência, atuação conjunta da Polícia Federal e da Receita Federal e rastreamento de lavagem de dinheiro. O presidente condena operações militares americanas de combate ao narcoterrorismo na América Latina e rejeita a classificação do PCC e do CV como organizações terroristas.

Flávio Bolsonaro defende essa designação, acordos bilaterais contra as facções e a entrada do Brasil no Escudo das Américas. Ele afirma que não aceitaria uma intervenção americana no país. Caiado apoia a cooperação internacional e a classificação das facções como terroristas, mas rejeita operações americanas em território brasileiro. Também admite forças sul-americanas em ações sob determinadas condições.

Renan Santos aceita cooperação em inteligência, mas quer que operações armadas no Brasil sejam conduzidas por forças brasileiras. Não concorda com a designação das facções como terroristas. Cury defende a atuação conjunta do FBI, da DEA e da Polícia Federal, sem operações estrangeiras no país. Zema aceita cooperação militar autorizada e afirmou que uma operação americana poderia ocorrer mediante acordo prévio.

Flávio Bolsonaro, Caiado, Renan Santos, Cury e Zema defendem a retomada do processo de adesão à OCDE. O processo foi iniciado em 2022 durante o governo Bolsonaro e, segundo a posição atribuída ao governo Lula, foi paralisado.

Minerais críticos e Israel

O governo Lula apoiou a lei de minerais críticos aprovada pelo Senado, com incentivos ao processamento no Brasil e um conselho governamental com poder de veto sobre parcerias internacionais. Flávio Bolsonaro quer uma parceria estratégica com os Estados Unidos, com investimento americano e redução da dependência da China.

Caiado defende processamento local, participação de fornecedores brasileiros e integração a cadeias internacionais, sem restringir a participação majoritária estrangeira. Renan Santos propõe acordos com os Estados Unidos e a União Europeia para compra de longo prazo e transferência de tecnologia. Cury também exige que os minérios sejam refinados e processados no Brasil. Zema defende investimentos estrangeiros, controle majoritário brasileiro e processamento nacional.

Sobre Israel e Gaza, Lula classifica as ações israelenses como genocídio, defende um Estado palestino e condena os ataques do Hamas em 7 de outubro. O Brasil ingressou no processo iniciado pela África do Sul contra Israel na Corte Internacional de Justiça, e as relações diplomáticas entre os dois países foram rebaixadas ao nível de encarregado de negócios.

Flávio Bolsonaro defende a transferência da embaixada brasileira para Jerusalém, a aproximação com Israel e as ações militares israelenses em Gaza. Caiado condena os ataques do Hamas, pede proteção à população civil palestina e propõe normalizar as relações com Israel. Renan Santos defende que o Brasil retome a mediação e o direito humanitário. Cury quer restabelecer relações diplomáticas plenas com Israel, reconhece o direito palestino a um Estado e pede o fim da guerra. Zema também quer normalizar as relações e retomar a participação brasileira na Aliança Internacional para a Memória do Holocausto.

Relação com os Estados Unidos

Lula acusa o governo americano de tentar interferir nas eleições brasileiras e rejeita as tarifas impostas por Trump a produtos do Brasil. Flávio Bolsonaro propõe uma aliança conservadora com os Estados Unidos, uma zona de livre comércio nas Américas e maior pressão diplomática sobre as instituições brasileiras.

Caiado defende reconstruir a relação com os Estados Unidos, sem interferência eleitoral, e negociar a retirada de tarifas consideradas injustas. Renan Santos critica o alinhamento automático com Washington e defende o não alinhamento, embora considere os Estados Unidos parceiros em tecnologia, defesa e minerais críticos.

Cury quer retomar negociações técnicas com o governo americano e diversificar os parceiros comerciais do Brasil. Zema propõe relações pragmáticas com os Estados Unidos, mas admite retaliação comercial. Ele também critica a aproximação do governo Lula com o Brics.

Texto produzido pela Redação Caderno Atual com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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