São Paulo, Segunda-feira, 21 de setembro de 2026
Dólar R$ 5,16 · Euro R$ 5,91 · Ibovespa 185.229 +0,00%
Notícia com critério
Política

Cármen Lúcia ficou fora de circuito informal que influencia a política

A ausência da ministra em eventos ligados ao poder expõe barreiras de gênero que persistem fora das instituições formais.

Cármen Lúcia ficou fora de circuito informal que influencia a política
Foto: Rosinei Coutinho/AFP

A ausência de Cármen Lúcia entre os convidados para a festa do banqueiro Daniel Vorcaro no Madame Satã chamou atenção após a divulgação de uma lista com 20 homens e 120 mulheres. Ela é a única mulher na atual composição do Supremo Tribunal Federal.

Na sessão do tribunal em 16, marcada por troca de impropérios entre ministros, Cármen Lúcia falou uma vez. “Eu estou nesta sessão, como talvez muitos de meus colegas, em estado de profunda consternação e tristeza”, declarou.

A questão, porém, não se resume a avaliar se a ministra teria aceitado um eventual convite ou a compará-la eticamente aos demais integrantes da Corte. A explicação para seu aparente isolamento está ligada à forma como o poder político também é construído fora dos espaços institucionais, em ambientes informais que historicamente têm público masculino.

Poder além das instituições

Pesquisadoras apontam que a presença de mulheres em cargos eletivos ou de indicação política não garante, por si só, influência efetiva. Conversas em gabinetes e almoços formais produzem relações diferentes das estabelecidas durante horas de convivência em fóruns no exterior, degustações de uísque ou boates.

Essa dinâmica dificulta que mulheres participem das decisões e influenciem a agenda. Ao mesmo tempo, a baixa presença feminina impede a transformação da estrutura que mantém esses espaços restritos. Nas três últimas vagas abertas no STF, o presidente Lula (PT) indicou homens de sua confiança, apesar dos pedidos de sua base por uma mulher.

A representação também é reduzida no Congresso: as mulheres ocupam menos de um quinto das cadeiras, embora sejam mais de metade da população. Atualmente, não há mulher na liderança de partido, federação ou bloco partidário na Câmara dos Deputados. Em 200 anos de história do Parlamento, nunca houve uma mulher na presidência da Câmara ou do Senado.

A ruptura desse ciclo depende da ação de eleitoras e eleitores.

Texto produzido pela Redação Caderno Atual com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

Entre na nossa newsletterO melhor da semana, sem spam.