A entrevista de Douglas Ruas, candidato ao governo do Rio pelo PL, reuniu declarações sobre segurança pública, contratos, investigações, transporte e dívida estadual. A análise considerou verdadeira a fala sobre o Propag e a tarifa do metrô, mas apontou informações falsas ou incompletas em temas como a apreensão de fuzis, a operação no Complexo do Alemão e os recursos destinados a São Gonçalo.
Ruas afirmou que não integra a pedreira ligada à família de Altineu Côrtes e que desconhece seus sócios. A declaração foi considerada incompleta. Registros da Receita Federal indicam que a Mineração Santa Edwiges Extração e Britamento Ltda. tem entre os sócios Altineu Côrtes Paesler Coutinho, filho do deputado, além de Angela Cristina Cortes Freitas Coutinho Marinelli, ACP Gestão Empresarial e Participações Ltda., Marcelo Cortes Freitas Coutinho e Davi Decat Coutinho. Também há relações empresariais indiretas entre pessoas ligadas à empresa e Ruas.
Foi considerada verdadeira a afirmação de que Eduardo Paes e Cláudio Castro cantaram juntos. Em fevereiro de 2024, os dois participaram de uma feijoada no Palácio da Cidade e cantaram “Domingo”, do grupo Só Pra Contrariar.
Segurança pública e operação
Ruas citou a apreensão de 920 fuzis no estado. Os dados do Instituto de Segurança Pública registram 922 armas apreendidas entre janeiro e dezembro de 2025. O levantamento não informa a origem dos armamentos. Em uma operação realizada em novembro de 2025 nos complexos do Alemão e da Penha, foram apreendidos fuzis de cinco países. Também houve investigação sobre uma fábrica clandestina em Santa Bárbara d'Oeste, que produzia armas destinadas ao Rio. A Polícia Federal prendeu Rafael Xavier do Nascimento com 13 fuzis e encontrou cerca de 150 armas prontas e mais de 30 mil peças no local de fabricação. A capacidade anual era de até 3,5 mil fuzis.
A afirmação de que os mortos na Operação Contenção estavam armados, foram para a mata e atiraram contra policiais também foi considerada incompleta. Documentos e informações oficiais não comprovaram individualmente essas circunstâncias. Dos 117 mortos, apenas 15 eram alvos de mandados, segundo documento citado na checagem; o Ministério Público do Rio informou que eram 5. Entre os 115 mortos identificados inicialmente, 97 tinham histórico criminal, 59 tinham mandados pendentes e 17 não apresentavam histórico registrado.
Gestão, contratos e Justiça
Ruas disse ter zero processos e zero denúncias relacionados a seus atos no poder público. A declaração foi classificada como falsa. Uma planilha apreendida pela Polícia Federal em fevereiro deste ano cita o candidato entre integrantes da chamada “tropa do Bacellar”. Em 2026, o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro abriu procedimento envolvendo duas empresas ligadas a Ruas. Ele também é alvo do Inquérito Civil nº 2022.01036466 e figura como representado na ação nº 0600221-86.2026.6.19.0000, no Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro.
A declaração de que São Gonçalo não recebeu mais da metade das verbas também foi classificada como falsa. Dados da Secretaria Estadual das Cidades apontam R$ 773,3 milhões para o município, de um total de R$ 1,4 bilhão em contratos ativos em 2025, equivalente a 55,2%. A Nota de Auditoria n.º 20260009 é um documento oficial da Controladoria Geral do Estado. A notificação para defesa ocorre em etapa posterior do processo administrativo.
Propag e tarifa
Ruas afirmou que Luiz Inácio Lula da Silva vetou dispositivos do Propag e que o Congresso derrubou parte dos vetos. A declaração foi considerada verdadeira. Lula vetou parcialmente a Lei Complementar nº 212/2025, que criou o Programa de Pleno Pagamento da Dívida dos Estados, e deputados e senadores retomaram seis dispositivos.
Também foi considerada verdadeira a afirmação de que o Rio tem a maior tarifa comum de metrô do país. O valor é de R$ 7,90, acima das tarifas de R$ 5,40 em São Paulo e R$ 5 em Porto Alegre.


