A maioria dos eleitores não alterou sua preferência para presidente após tomar conhecimento das acusações envolvendo os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça, mostra levantamento do Datafolha. O episódio relacionado a Moraes não mudou o voto de 85% dos entrevistados; no caso de Mendonça, 86% disseram que permaneceram com a mesma escolha.
O instituto ouviu 2.002 eleitores em 125 cidades, entre terça-feira (8) e quinta (10). A margem de erro é de dois pontos para mais ou para menos. Como as entrevistas ocorreram durante o avanço da crise, o levantamento considerou apenas parcialmente as revelações mais recentes.
Conhecimento sobre os episódios
O caso envolvendo Moraes era conhecido por 66% dos entrevistados, mas somente 26% desse grupo se considerava bem informado. Entre os eleitores que declararam voto em Flávio, 75% disseram conhecer o episódio. Entre os que afirmaram votar em Lula no primeiro turno, o índice foi de 61%.
Considerando o conjunto dos entrevistados, 7% afirmaram ter ficado em dúvida sobre em quem votar por causa do caso. O percentual foi de 8% entre os lulistas e de 5% entre os apoiadores de Flávio. Outros 4% disseram ter mudado de ideia, sendo 2% em cada um dos dois grupos principais.
As suspeitas relacionadas a Mendonça eram conhecidas por 45% dos entrevistados, e 22% deles se consideravam bem informados. Também nesse caso o conhecimento era maior entre os bolsonaristas: 60%, contra 37% entre os lulistas. Na intenção de voto, 5% dos eleitores de Flávio disseram ter ficado em dúvida, ante 7% dos apoiadores de Lula.
Disputa entre ministros
A crise começou a ganhar dimensão na terça-feira retrasada (1º), quando Mendonça revelou um relatório sigiloso ao qual Moraes teve acesso. O documento trazia detalhes da relação de Moraes com Vorcaro. Além de um contrato de R$ 131 milhões do ex-banqueiro com o escritório da mulher de Moraes, havia mensagens nas quais Vorcaro questionava ao ministro se seria conveniente fugir do país para não ser preso. Não se sabe se houve resposta.
Moraes questionou a legalidade dos atos de Mendonça e sugeriu que eles teriam sido direcionados politicamente contra adversários do bolsonarismo. A resposta de Mendonça veio com a ordem de afastamento do diretor-geral e do chefe de inteligência da PF.
O presidente do Supremo, Edson Fachin, suspendeu todas as medidas e marcou para a próxima terça (15) uma sessão sobre a conduta de Moraes. Na quinta (10), Flávio Dino autorizou uma operação policial para investigar se recursos de emendas parlamentares de Mário Frias (PL-RJ) foram destinados ao financiamento de um filme sobre Bolsonaro.
Na sexta, por solicitação de Moraes e outros envolvidos, Fachin determinou a liberação de todos os dados do caso do Banco Master. Antes, Mendonça havia levantado o sigilo por ordem do presidente do Supremo, mas de forma seletiva. O levantamento está registrado na Justiça Eleitoral sob o código BR-01833/2026.


