O afastamento temporário de André Mendonça é defendido por 37% dos entrevistados, enquanto 12% apoiam a abertura de um processo de impeachment contra o ministro do Supremo Tribunal Federal. No caso de Alexandre de Moraes, os percentuais são de 34% e 28%, respectivamente.
Os dados fazem parte de uma pesquisa Datafolha realizada com 2.002 pessoas em 125 cidades, entre terça (8) e quinta (10). O levantamento ocorreu durante o confronto entre os dois ministros em torno do caso Banco Master. A margem de erro é de dois pontos para mais ou para menos, e a pesquisa está registrada na Justiça Eleitoral sob o código BR-01833/2026.
A disputa começou após André Mendonça divulgar, na terça retrasada, um relatório sigiloso com informações sobre as relações de Moraes com Vorcaro. Entre os dados estava um contrato de R$ 131 milhões firmado pelo ex-banqueiro com o escritório da mulher de Moraes. Também vieram a público mensagens em que Vorcaro perguntava ao ministro se deveria deixar o país para evitar a prisão. Ele acabou preso, acusado de comandar a maior fraude bancária da história brasileira.
Moraes pediu uma apuração sobre a legalidade das medidas adotadas por Mendonça. Em resposta, Mendonça determinou o afastamento do diretor-geral da Polícia Federal e do chefe da inteligência do órgão, além de sugerir a existência de conluio com Moraes.
Diferenças entre os eleitores
Entre os entrevistados, 7% disseram não ter visto irregularidades na atuação de Moraes, e 5% afirmaram que não havia problemas porque a coleta de provas por Mendonça teria sido ilegal. Outros 13% defendem a renúncia de Moraes.
A rejeição mais forte a Moraes aparece entre os eleitores de Flávio Bolsonaro: 50% desse grupo apoiam seu impedimento, ante 9% entre os apoiadores de Lula. Sobre Mendonça, 25% não identificam ilegalidade em sua conduta e 11% defendem sua renúncia. Entre os eleitores de Flávio, 48% não veem irregularidades, enquanto 23% apoiam seu afastamento. Entre os apoiadores de Lula, esse índice chega a 49%.
O presidente do STF, Edson Fachin, suspendeu as medidas tomadas pelos dois ministros. Na quinta, Flávio Dino autorizou uma operação policial que recolocou em evidência o caso “Dark Horse”. Fachin determinou o fim do sigilo do caso Master, e Mendonça retirou o segredo de forma seletiva antes de ser obrigado a garantir transparência total na sexta.
A disputa também passou a integrar a campanha presidencial. Flávio Bolsonaro, do PL, declarou apoio a Mendonça, que foi ministro de Jair Bolsonaro, e passou a associar Moraes ao presidente Lula, do PT.


