A investigação que levou à operação contra o deputado Cezinha de Madureira (PL-SP) e a advogada Valéria Rodrigues Linhares reúne suspeitas de tráfico de influência, exploração de prestígio, corrupção passiva e lavagem de dinheiro. O caso é um desdobramento da Operação Transparência, iniciada em dezembro de 2025.
Na decisão que autorizou os mandados de busca e apreensão, o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), apontou que o parlamentar teria usado a função legislativa para transmitir a terceiros a impressão de que poderia influenciar decisões de ministros de tribunais superiores e negociar essa suposta influência. O sigilo do despacho foi retirado depois do cumprimento das medidas.
As apurações acolhidas por Dino indicam uma divisão de tarefas. A advogada Mariângela Fialek, conhecida como “Tuca” e ex-servidora da Câmara, seria responsável por captar processos e preparar peças e memoriais técnicos. Valéria Rodrigues Linhares formalizaria contratos de honorários de êxito e cessões de crédito. Cezinha, por sua vez, faria contatos diretos e despachos com ministros, valendo-se do trânsito parlamentar.
Mensagens obtidas pela Polícia Federal registraram tratativas sobre processos de valores elevados, incluindo casos ligados à defesa da prefeita de Beberibe (CE) e de um ex-secretário de Belford Roxo (RJ). As previsões de pagamento variavam entre R$ 500 mil e R$ 2 milhões. Outro elemento citado no inquérito é a apreensão de R$ 510 mil em dinheiro vivo com Valéria Linhares no Aeroporto de Congonhas (SP), em agosto de 2026.
Defesa contesta momento da operação
Em nota divulgada nesta segunda-feira (14), o escritório Carneiros Advogados afirmou que Cezinha nega irregularidades e está disponível para prestar esclarecimentos. A defesa declarou que o deputado tem a “tranquilidade de quem confia plenamente na Justiça e certo de sua conduta sempre ilibada”.
Os advogados também sustentaram que, com o contraditório e o acesso integral aos elementos da investigação e ao processo, os fatos serão esclarecidos e ficará demonstrado que nenhuma irregularidade foi cometida. A nota questionou ainda a realização da operação em uma “circunstância política e eleitoral”.
Dino ressaltou que ministros do STF, do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) não são investigados e não cometeram irregularidades. Segundo o despacho, as autoridades aparecem no caso como vítimas de exploração de prestígio, enquanto a apuração trata da “mercancia da influência por quem a ofereceu e a precificou”.


