WASHINGTON — Democratas no Congresso dos Estados Unidos acusaram o governo de Donald Trump de usar o aparato federal contra adversários políticos após uma operação na residência da deputada Ilhan Omar, na região de Washington. A ação ocorreu na madrugada desta segunda-feira (12), pouco mais de três semanas antes das eleições legislativas de meio de mandato.
O líder democrata na Câmara dos Deputados, Hakeem Jeffries, e os deputados Katherine Clark e Pete Aguilar classificaram a operação como “profundamente perturbadora e levanta sérias questões sobre o uso do governo federal como arma contra os adversários de Trump”. Em comunicado conjunto, eles disseram que pretendem garantir a responsabilização pelo que chamaram de abuso de poder.
O governador de Minnesota, Tim Walz, também criticou a ação. Para ele, o presidente está usando o cargo para perseguir opositores nas semanas que antecedem uma eleição.
Investigação sobre imigração
Uma pessoa a par da investigação afirmou que a operação está relacionada a uma suposta fraude imigratória. A apuração envolveria documentos de imigração de Omar, que nasceu na Somália e teve a documentação preenchida pelo pai, já falecido, quando ainda era criança.
Tom Homan, responsável pela política de fronteiras do governo Trump, disse que o Departamento de Justiça conduz a investigação em conjunto com o Departamento de Segurança Interna. Ele não forneceu detalhes sobre o procedimento criminal em andamento.
O secretário de Segurança Interna, Markwayne Mullin, havia dito no mês passado que “alguma coisa iria acontecer” na investigação sobre a entrada da família de Omar nos Estados Unidos. Na ocasião, afirmou que ela poderia ser deportada caso fosse provado que não deveria ter entrado no país.
As normas do Departamento de Justiça proíbem procuradores e agentes federais de programar ações para influenciar eleições ou beneficiar candidatos e partidos. Historicamente, o órgão evita medidas investigativas contra candidatos nos cerca de 60 dias anteriores a uma eleição.
Reação de Omar
Omar, de 44 anos, é uma crítica de Trump e busca um quinto mandato de dois anos na Câmara nas eleições marcadas para 3 de novembro. Ela representa um distrito considerado reduto democrata e foi reeleita em 2024 com vantagem de 50 pontos percentuais.
Em uma publicação nas redes sociais, a deputada afirmou que o governo dos Estados Unidos está sendo instrumentalizado para atingi-la. “Não serei silenciada”, escreveu.
Omar também disse que ela e sua família receberam ameaças de morte, atribuídas à retórica política de ódio, especialmente por parte de Trump. O presidente já fez ataques verbais contra a deputada e contra a comunidade somali-americana em Minnesota.
Durante o segundo mandato, o Departamento de Justiça investigou ou apresentou acusações contra outras pessoas consideradas críticas de Trump, entre elas James Comey, Letitia James e John Bolton. Também investigou parlamentares democratas e integrantes do Federal Reserve, o banco central americano.
O processo contra James e um dos dois processos contra Comey foram rejeitados por um juiz federal. Bolton se declarou culpado e deverá receber sua sentença ainda neste mês. Diversas outras investigações foram interrompidas por decisões de juízes federais.


