WASHINGTON — A operação de busca na residência da deputada Ilhan Omar, realizada na madrugada desta segunda-feira (12), ocorre em meio à disputa política que antecede as eleições de meio de mandato nos Estados Unidos. O Departamento de Justiça informou que agentes da Investigação de Segurança Interna executaram um mandado autorizado pela Justiça na região de Washington.
O órgão, que integra o Serviço de Imigração e Controle de Alfândegas (ICE), não detalhou publicamente a apuração. Uma pessoa familiarizada com o caso afirmou que ela envolve suspeitas de fraude imigratória. A investigação inclui documentos relacionados à imigração de Omar, nascida na Somália, que teriam sido preenchidos por seu pai, já morto, quando ela era criança.
A deputada democrata, representante de Minnesota e crítica de Donald Trump, afirmou nas redes sociais que o governo estaria sendo usado contra um adversário político. “Não vou me calar”, escreveu Omar. Ela tem 44 anos e busca um quinto mandato na Câmara dos EUA.
Reações de democratas
O líder da minoria democrata na Câmara, Hakeem Jeffries, e outros integrantes da direção do partido disseram que a ação era “profundamente perturbadora” e levantava dúvidas sobre o uso do governo federal contra opositores de Trump. Democratas de Minnesota também condenaram a operação.
O governador Tim Walz afirmou que o presidente estaria usando o cargo para perseguir adversários políticos semanas antes de uma eleição. As normas do Departamento de Justiça proíbem que promotores e agentes federais programem ações com o objetivo de influenciar votações ou favorecer candidatos e partidos. Historicamente, a pasta evita medidas investigativas contra candidatos nos cerca de 60 dias anteriores a uma eleição.
Markwayne Mullin, secretário de Segurança Interna indicado por Trump, havia declarado no mês passado que poderia haver uma ação sobre a entrada da família de Omar nos Estados Unidos. Na ocasião, disse que ela poderia ser deportada caso fosse provado que não deveria ter entrado no país.
A operação ocorreu pouco mais de três semanas antes das eleições, quando o Partido Republicano tenta manter o controle do Congresso. Omar representa um distrito considerado seguro para os democratas e foi reeleita em 2024 com vantagem de 50 pontos percentuais. Durante o segundo mandato de Trump, o Departamento de Justiça também investigou ou apresentou acusações contra outros adversários do presidente, entre eles James Comey, Letitia James e John Bolton.


