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Política

Denúncia contra nove pessoas reduz mobilização bolsonarista em Novo Progresso

Investigação sobre bloqueios e ataques na BR-163 pesa sobre a atuação política de apoiadores da família Bolsonaro no município paraense.

Denúncia contra nove pessoas reduz mobilização bolsonarista em Novo Progresso
Foto: Danilo Verpa/Folhapress

A denúncia apresentada pelo procurador-geral da República, Paulo Gonet, contra nove pessoas suspeitas de participar de atos golpistas em Novo Progresso e nas proximidades da cidade passou a marcar a disputa política no município. O documento, apresentado ao Supremo Tribunal Federal no último dia 24 de agosto, é apontado por políticos bolsonaristas locais como um dos fatores para a baixa mobilização em torno de Flávio Bolsonaro (PL).

A cidade, no sul do Pará, foi um dos principais pontos de bloqueio da BR-163 após a derrota de Jair Bolsonaro para Lula. A rodovia permaneceu interditada por uma semana. Empresários locais participaram dos atos com frotas e funcionários, enquanto policiais rodoviários federais e viaturas foram atacados com pedras e tiros.

Bloqueios e investigação

De acordo com informações da Polícia Rodoviária Federal, todos os veículos usados nas tentativas de liberação da estrada foram apedrejados na primeira semana de novembro de 2022. Três viaturas tiveram perfurações provocadas por disparos.

O Ministério Público Federal afirmou, durante a investigação, que houve tentativa de homicídio contra os policiais e que o bloqueio tinha como objetivo contribuir para um golpe de Estado. O caso foi encaminhado à Procuradoria-Geral da República por sua relação com a apuração principal sobre a tentativa de golpe. Nesse processo, Jair Bolsonaro foi condenado pelo STF a 27 anos e três meses de prisão.

Na denúncia relacionada aos moradores de Novo Progresso, a PGR atribuiu os crimes de associação criminosa e tentativa de abolição violenta do Estado democrático de Direito. O documento não individualiza quais acusados teriam apedrejado ou disparado contra os agentes públicos.

Participantes dos atos chegaram a ser presos pela Polícia Federal. Empresários também foram multados em ações conduzidas pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF, por causa da continuidade dos bloqueios. Uma relação com nomes e valores circulou pela cidade.

Reflexos na campanha

A movimentação eleitoral encontrada no município contrasta com o desempenho de Bolsonaro em 2022. Ele obteve 79,6% dos votos no primeiro turno, a maior proporção registrada na Amazônia, e 82,92% dos votos válidos no segundo turno.

Poucos carros foram adesivados em uma das raras atividades públicas de apoio a Flávio Bolsonaro, candidato à Presidência e filho do ex-presidente. Os rostos dos dois apareceram em adesivos e camisetas de poucos cabos eleitorais. O vereador Pedro de Vargas (União Brasil), responsável por um adesivaço em favor de um deputado federal bolsonarista que busca a reeleição, resumiu o ambiente local: "Aqui está tudo parado".

Segundo o vereador, o apoio do prefeito ao grupo político do ex-governador Helder Barbalho (MDB), apoiador de Lula, também contribui para a falta de mobilização.

A maior parte dos nove denunciados deixou Novo Progresso ou se desfez de imóveis e pequenos negócios. Os que permaneceram afirmam estar afastados da disputa eleitoral de 2026, embora mantenham a rejeição a Lula e a preferência pela família Bolsonaro.

Moradores denunciados

Carlos Henrique Ferreira, 40, continua trabalhando em uma retífica de motores pertencente ao tio, que também paga sua defesa. Filmado durante os atos, ele disse à PGR que chegou ao local quando as viaturas estavam deixando a área. O acusado afirma que a região sofre com a fiscalização contra atividades ilegais de derrubada da floresta e que madeira e garimpo são fontes de trabalho no município.

Jeferson Paulo Milioni, outro denunciado que permaneceu na cidade, tem a defesa custeada pela empresa agropecuária que o empregava. Depois de ser preso pela Polícia Federal, abriu uma pizzaria. Vídeos citados na denúncia mostram sua participação no bloqueio da BR-163.

Ele afirma que não havia motivação política nos atos e que ainda não decidiu o voto. Também diz considerar que o governo Bolsonaro permitia que a população local trabalhasse, enquanto o governo Lula não seria adequado para uma região dependente de madeira e garimpo.

A economia de Novo Progresso está ligada a garimpos de ouro, exploração de madeira, criação de gado e produção de soja, atividades que, em muitos casos, são realizadas de forma ilegal. Com 37 mil habitantes, o município integrou, durante o governo Bolsonaro, a lista de cidades com maior desmatamento da Amazônia.

Ao longo da BR-163, em Mato Grosso e no Pará, não foram observadas demonstrações ostensivas de apoio a Flávio semelhantes às de 2018 e 2022. Em propriedades rurais, algumas pessoas optaram por exibir bandeiras do Brasil. Em Novo Mundo (MT), o produtor de soja e milho e criador de gado Claudiney Pereira, 59, colocou também uma bandeira dos Estados Unidos e declarou apoio a Flávio.

Texto produzido pela Redação Caderno Atual com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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