SÃO PAULO — O eletricista industrial Vanderlei Magalhães Natividade aparece nos documentos do Instituto Conhecer Brasil (ICB) como tesoureiro com autorização para movimentar todas as contas da entidade. Conforme decisão de Flávio Dino, o instituto teria movimentado mais de R$ 83 milhões entre setembro de 2023 e agosto de 2024. Em 10 de setembro, a Polícia Federal fez buscas no endereço de Natividade, que também foi impedido por Dino de deixar o País.
Natividade oferecia, por meio do WhatsApp, serviços de reparos industriais, instalação de câmeras e alarmes, controle de acesso e atividades de bombeiro. Ele morava em uma casa simples nos fundos de um terreno na Brasilândia, onde também viviam familiares de Karina. Em maio, apresentou-se como “parente de consideração” da empresária.
Nos registros do ICB, porém, o eletricista tinha poderes para operar todas as contas da organização, inclusive as que concentraram as transações de maior valor. A entidade recebeu emendas de Mário Frias e assinou com a Prefeitura de São Paulo um contrato de R$ 108 milhões para instalar pontos de internet sem fio.
O instituto também integra o circuito de uma transferência de R$ 8,55 milhões para uma empresa que repassou recursos a firmas registradas em nome de trabalhadores pobres.
A defesa de Natividade não havia se manifestado até a última atualização. Karina disse ter entregue mais de 20 mil páginas às autoridades e apresentou reclamação ao STF para questionar a competência da investigação, sem contestar o mérito. O prefeito Ricardo Nunes afirmou que uma apuração municipal não identificou irregularidades no contrato.
A Polícia Federal ainda apura qual era a função efetivamente exercida pelo tesoureiro e quem comandava as operações milionárias.



