SÃO PAULO — A defesa do eletricista Vanderlei Magalhães Natividade afirma que ele nunca exerceu, na prática, a função de tesoureiro do Instituto Conhecer Brasil (ICB), ligado à produtora Karina da Gama. O nome dele aparece em documentos da entidade, que movimentou cerca de R$ 83 milhões em um ano, segundo a Polícia Federal (PF).
A casa de Natividade foi alvo de uma operação autorizada pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), na quinta-feira (10). A PF aponta que a assinatura do eletricista consta em documentos relacionados às movimentações financeiras do instituto.
Os advogados Miguel Kupermann e Matheus Yasbeck Montenegro dizem que Natividade apenas ajudou a prima na criação do ICB. “Há 12 anos, a pedido de sua prima, Karina da Gama, Vanderlei forneceu seus dados para auxiliá-la na constituição do Instituto Conhecer Brasil (ICB), ocasião em que foi registrado, formalmente, como tesoureiro estatutário”, afirmaram.
Segundo a defesa, o eletricista nunca movimentou contas do instituto nem recebeu valores por causa da posição registrada. Os advogados também dizem que a relação familiar explica o uso dos dados de Natividade na constituição da entidade, mas não representa participação na administração ou na movimentação de recursos.
Moradia e atividade profissional
Natividade mora na Vila Brasilândia, na Zona Norte de São Paulo. A casa fica nos fundos de um terreno onde também vive a família de Karina da Gama. De acordo com os advogados, a proximidade entre os imóveis esteve relacionada ao período em que o eletricista residiu ao lado dos familiares da produtora.
A defesa afirma que Natividade é pequeno empresário e trabalha como eletricista nas regiões Norte e Oeste de São Paulo. Também nega envolvimento dele com política, produção cultural, eventos ou com o filme “Dark Horse”, que retrata a trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro e é produzido por Karina da Gama.
O ICB mantém contrato com a Prefeitura de São Paulo. A entidade não havia respondido sobre a permanência de Natividade como tesoureiro, conforme as investigações da PF.
A defesa de Karina Ferreira da Gama informou que apresentou uma reclamação constitucional ao STF após a operação. O advogado Ricardo Sayeg declarou que a medida não questiona o mérito da investigação e busca preservar a competência do juiz natural e o cumprimento de decisões da Presidência do STF.
A defesa também afirma que Karina colaborava espontaneamente com a investigação. Na sexta-feira, ela teria entregue à PF mais de 20 mil páginas de documentos. “A medida não discute o mérito da investigação”, diz a nota apresentada pela defesa.


