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Política

Obras financiadas por emendas ampliam poder político em cidades pequenas

Curral Velho, Itaubal e Cutias receberam recursos federais, mas enfrentam diferentes níveis de execução e dependência das prefeituras.

Obras financiadas por emendas ampliam poder político em cidades pequenas
Foto: Raphael Di Cunto/Folhapress

A execução de obras financiadas por emendas parlamentares alterou a rotina de municípios pequenos e reforçou a influência dos prefeitos sobre as campanhas locais. Desde 2023, R$ 167 bilhões foram destinados a emendas no país, conforme dados compilados pela Central das Emendas, entidade apartidária que reúne informações sobre esses recursos.

Os dados consideram o período de 1º de janeiro de 2023 a 20 de julho deste ano. Em Curral Velho (PB), Itaubal (AP) e Cutias (AP), as verbas foram usadas em quadras, escolas, pavimentação, pontes, praças, moradias, unidades de saúde e prédios públicos.

Em Curral Velho, município com 2.292 habitantes, o valor chegou a R$ 13,6 mil por morador. A cidade é a quarta que mais recebeu emendas por habitante no país. Entre as intervenções estão a reforma da praça municipal, a troca de bloquetes por asfalto, a pavimentação de estradas para comunidades, a construção de dez casas populares e de uma creche. Uma nova unidade de saúde está em licitação.

A obra que mais chama a atenção dos moradores é o campo de futebol, transformado em estádio sem arquibancadas. O prefeito Samuel Carnaúba (MDB) é associado pelos moradores às melhorias. “Comecei a votar em 1986 e nunca vi alguém arrumar tanta coisa como esse prefeito”, afirma Francinaldo da Silva, dono de um mercadinho.

A relação entre obras e apoio eleitoral também aparece na fala de Edileusa Pereira, dona do único restaurante de Curral Velho. O estabelecimento fornece marmitas aos trabalhadores das obras municipais. “Se ele pedir, eu faço até campanha”, diz.

Em Itaubal, com 5.600 moradores e quase 9.000 eleitores, foram recebidos R$ 87 milhões em emendas federais nos últimos quatro anos. Os recursos financiaram a reforma da orla do rio Piririm, moradias, uma unidade de saúde 24h e o prédio da prefeitura. O município tinha apenas duas ruas asfaltadas há cerca de seis anos; em agosto, toda a região central estava pavimentada.

O vice-prefeito Gil Palmeirim (sem partido) atribui obras ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP). Dos 718 empregos formais do município, 85% são cargos da prefeitura. A concentração de trabalho e serviços no poder público amplia a capacidade do prefeito de mobilizar apoio político.

Em Cutias, foram empenhados R$ 109 milhões desde 2023, o equivalente a R$ 24,4 mil por morador. Apenas 37% desse valor havia sido pago até o fim de julho. Em Itaubal, o percentual era de 55%; em São Paulo, de 89%.

O prefeito Junior Mourão (PL) afirma que a falta de profissionais dificulta a preparação dos projetos. Um técnico recebe cerca de R$ 3.000 na região, valor que, segundo ele, torna difícil contratar especialistas.

Um conjunto habitacional de 62 casas em Cutias está em construção há anos. O projeto teve problemas de localização, postes de energia e dimensionamento do reboco, segundo Marcelo Montenegro, dono da Boa Vista Empreendimentos, responsável pela obra. Ele também citou atrasos provocados pela pandemia e pela suspensão dos pagamentos de emendas em 2024, determinada pelo STF, que exigiu mais transparência e controle nos repasses.

A distribuição das verbas também interfere na disputa entre grupos políticos. Depois que Junior Mourão venceu o grupo ligado a Davi Alcolumbre, o senador deixou de enviar novos recursos para Cutias, segundo sua assessoria, enquanto aguarda a execução dos valores já aprovados.

Texto produzido pela Redação Caderno Atual com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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