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Política

Empresa ligada a repasses de ‘Dark Horse’ tem sede registrada em loja de noivas

Instituto Super Poder Educacional aparece em cadastros oficiais como subcontratado em convênio investigado pela Polícia Federal.

Empresa ligada a repasses de ‘Dark Horse’ tem sede registrada em loja de noivas
Foto: Rafaela Araújo/Folhapress

A investigação sobre recursos destinados ao filme “Dark Horse” identificou que duas empresas subcontratadas pelo Instituto Conhecer Brasil receberam R$ 700 mil entre fevereiro e março do ano passado. Uma delas, o Instituto Super Poder Educacional, está registrada em uma sala comercial onde funciona uma loja de vestidos de noivas e roupas para festas, na Vila Hulda.

A empresa consta nos registros da Receita Federal e da Junta Comercial de São Paulo desde 2023. Entre suas atividades declaradas estão treinamento profissional, edição de livros e comércio atacadista de material de escritório. O endereço fica na avenida Doutor Timóteo Penteado.

Um atendente da loja afirmou que o estabelecimento funciona no local há pelo menos três anos e meio e negou qualquer vínculo com o Instituto Super Poder Educacional. A empresa tem como sócia Pamella Cristina Dias. Em outro endereço associado ao negócio, na Vila Rosália, uma pessoa informou pelo interfone que não havia nenhuma Pamella no imóvel. Um homem que se apresentou como irmão da empresária disse que a propriedade pertence à mãe deles e forneceu um contato, mas Dias não atendeu.

Repasse federal e transferência à produtora

A decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, autorizou a operação da Polícia Federal realizada na manhã desta quinta-feira (10). O procedimento apura uma possível triangulação de verbas públicas que chegaram à Go Up Entertainment, produtora de “Dark Horse”, filme sobre Jair Bolsonaro (PL).

De acordo com a decisão, o Instituto Conhecer Brasil, pertencente à empresária Karina Ferreira Gama, dona da Go Up Entertainment, recebeu recursos federais e municipais. No convênio federal, a entidade subcontratou o Instituto Super Poder Educacional e a Dinâmica Editora e Distribuidora, sediada em Rio Claro, a 363 km de São Paulo.

A verba federal, de R$ 1 milhão, foi destinada pelo deputado federal Mario Frias (PL-SP) a ações do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação voltadas a letramento digital e empreendedorismo para adultos e adolescentes. A investigação aponta que os valores recebidos pelas duas subcontratadas foram transferidos à produtora por meio da NTT Brasil, empresa de Heric Fabiano Dias, irmão de Pamella.

Entre 10 de novembro e 30 de dezembro de 2025, a NTT Brasil enviou R$ 750 mil à Go Up Entertainment. A Polícia Federal apura se esse montante corresponde ao dinheiro recebido pelas subcontratadas no convênio.

Outros valores sob apuração

O Instituto Conhecer Brasil também recebeu R$ 108 milhões da Prefeitura de São Paulo para oferecer pontos de wi-fi em bairros da periferia. No mesmo período investigado, Mario Frias transferiu R$ 645 mil para a conta da produtora. A decisão registra que a polícia questiona a compatibilidade desses repasses com a renda declarada do deputado, de R$ 44 mil.

A Dinâmica Editora e Distribuidora pertence a Dayvid Moreira Medeiros, que responde a processo sob suspeita de fraude em licitação na Paraíba. A polícia afirma que Medeiros e Pamella trabalham juntos na HD Cultural, da qual ele é sócio e ela atua como coordenadora editorial.

Karina Gama negou irregularidades, enquanto Frias classificou a operação como “cortina de fumaça”. Dias e Medeiros não atenderam às tentativas de contato. A apuração também verifica se parte dos recursos foi enviada aos Estados Unidos para despesas do ex-deputado Eduardo Bolsonaro.

“Dark Horse” é baseado no atentado sofrido por Jair Bolsonaro durante a campanha presidencial de 2018. A Polícia Federal ainda investiga se o filme recebeu dinheiro desviado de emendas parlamentares. Mensagens de áudio divulgadas pelo The Intercept registraram um pedido de Flávio Bolsonaro a Daniel Vorcaro, do Banco Master, por recursos que seriam destinados ao financiamento da obra.

Texto produzido pela Redação Caderno Atual com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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