SÃO PAULO — O Sesc Parque Dom Pedro 2º deve ser inaugurado ainda neste ano e receber, em média, 8.000 pessoas por dia. A unidade, construída ao lado do Mercado Municipal, terá mais de 36 mil metros quadrados distribuídos em seis andares e será o quinto maior espaço do Sesc na cidade de São Paulo em área construída.
O edifício foi projetado pelo estúdio Una, dos arquitetos Fernanda Barbara e Fabio Valentim. O investimento é de cerca de R$ 350 milhões, incluindo a construção, a compra e a instalação de equipamentos e mobiliário. A data de abertura ainda não foi definida.
Estrutura e sustentabilidade
O prédio terá cinco piscinas, sendo duas de grandes dimensões e três voltadas ao público infantil. A temperatura da água será regulada por um sistema de aquecimento solar. A biblioteca terá cerca de 5.000 volumes, e ambientes como o restaurante e a própria biblioteca estarão entre os poucos espaços com ar-condicionado.
As fachadas foram planejadas para favorecer a iluminação e a ventilação naturais. O complexo também terá mais de 5.000 metros quadrados de área verde distribuídos pelos seis andares. No térreo, um jardim triangular reunirá espécies da Mata Atlântica.
As calçadas nas três faces do edifício — a praça São Vito e as avenidas do Estado e Mercúrio — usarão material drenante, com o objetivo de contribuir para a redução de alagamentos. O Sesc não terá muros ou grades e contará com três entradas.
No segundo andar, uma praça oferecerá vista para o Mercado Municipal e para edifícios do centro paulistano, como o Farol Santander. Dos terraços superiores, será possível observar parte das zonas leste e norte e, ao fundo, a Serra da Cantareira.
O térreo concentrará o principal espaço de convivência e também funcionará como foyer do teatro multifuncional, com pouco mais de 300 lugares. Para Luiz Galina, diretor da seção paulista do Sesc, “a alma da unidade é o espaço cênico”. O teatro terá uma plataforma elevatória para permitir diferentes configurações nas encenações.
Relação com o entorno
A nova unidade fica entre o rio Tamanduateí, o Mercado Municipal e a zona cerealista, em uma área marcada pelo trânsito das avenidas do Estado e Mercúrio. O projeto busca integrar o edifício à cidade e colaborar com a recuperação do entorno do parque Dom Pedro 2º.
A região corresponde à antiga várzea do Carmo. O parque foi atravessado por viadutos construídos nos anos 1960 e 1970 para ligar o centro à zona leste. O Tamanduateí, que se estende por 35 km, passou por sucessivos planos de canalização e hoje apresenta águas poluídas.
Entre as atrações previstas para a abertura está a exposição “As Sete Voltas do Tamanduateí”, com curadoria de Veronica Stigger e Eduardo Sterzi. A mostra combinará história e arte.
Oitenta anos do Sesc
A criação do Sesc foi autorizada em 13 de setembro de 1946 por decreto assinado pelo presidente Eurico Gaspar Dutra. A instituição privada presta serviços de interesse público e é mantida, entre outras receitas, por contribuição compulsória repassada pelas empresas ao Sistema S.
Galina afirma que a seção paulista presta contas a um conselho regional e ao Tribunal de Contas da União. A unidade também tem um conselho fiscal, formado em sua maioria por integrantes do governo federal.
A seção paulista tem orçamento anual de R$ 4 bilhões. Com as aberturas previstas para este ano em Parque Dom Pedro 2º e Marília, o Sesc chegará a 46 unidades no estado e se aproximará de 10 mil funcionários em regime CLT.
Como parte das comemorações, o exame médico exigido para o uso das piscinas é realizado sem custo neste mês. A programação de shows e espetáculos teatrais dos dias 12 e 13 também será gratuita, com exceção das atrações do Mirada, festival de artes cênicas realizado na Baixada Santista.


