A programação paralela do 59º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro reuniu dois dos destaques da edição: “Pitico – Hermes Ayres Azevedo (1881-1959): Historiador da Província”, de Júlio Bressane, e “Os Vivos Caminham à Terra”, longa pernambucano de Pedro Maia de Brito. Em preto e branco, os filmes exploram possibilidades do cinema com propostas consideradas aventurosas.
A edição terminou neste sábado (19), com “Se Eu Fosse Vivo... Vivia”, de André Novais Oliveira, escolhido como melhor filme da principal mostra competitiva. “Pequenas Tragédias”, de Daniel Nolasco, foi a produção que mais acumulou troféus na noite.
Desejo e memória
O filme de Nolasco acompanha, entre prólogo, cinco capítulos, entreato e epílogo, a trajetória de uma personagem ligada à vida queer em uma cidade do interior. A obra combina humor e melancolia e apresenta cenas de sexo homossexual que confrontam os padrões morais de Catalão, em Goiás. Guilherme Theo interpreta o próprio diretor com cinismo e ironia.
“Se Eu Fosse Vivo... Vivia” acompanha a relação de Gilberto e Jacira desde os anos 1970 até 50 anos depois, quando os dois estão idosos e enfrentam problemas de saúde. Norberto Novais Oliveira e Conceição Evaristo interpretam o casal na velhice; Jean Paulo Campos e Tainá Evaristo fazem as versões jovens. Uma sequência de baile tem Gerson King Combo e Hyldon na trilha sonora.
Outros filmes da seleção
“Todo o Sentimento”, de Glenda Nicácio e Ary Rosa, perde força na sátira do panorama político brasileiro, mas se destaca nas cenas ambientadas em um casarão colonial do Recôncavo Baiano. Aldri Anunciação e Lucas Leto integram o elenco.
Gustavo Vinagre e Gurcius Gewdner assinam “Privadas de Suas Vidas”, sobre a crise de meia-idade de uma promotora de eventos interpretada por Martha Nowill, em meio a um ataque de privadas assassinas. O filme também aborda questões de gênero e satiriza o universo dos influencers.
“Tudo é Tempo”, de Marcos Guttman, acompanha o mesmo grupo de quatro eleitores entre 2002 e 2022. Já “Sabes de Mim, Agora Esqueça”, de Denise Vieira, representou Brasília na seleção. “Ana en Passant”, de Fernanda Salgado, recorre a técnicas de animação para tratar do luto, tema frequente no festival.

