SÃO PAULO — O candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) não citou Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, durante o ato de 7 de Setembro na Avenida Paulista. Nos últimos meses, foi revelada uma relação direta entre os dois, e Flávio chamava o banqueiro de irmãozão enquanto pedia dinheiro a ele.
A manifestação reuniu figuras da direita e teve bandeiras dos Estados Unidos e de Israel ao lado das brasileiras. Havia um boneco de Donald Trump, cartazes em inglês, bonés com as frases “Trump 2028” e “Make America Great Again” e um manifestante vestido como Elvis Presley. Parte do público pediu que o presidente dos Estados Unidos acompanhasse as eleições brasileiras e defendeu uma intervenção estrangeira no pleito.
Nos discursos, porém, Trump não foi mencionado pelos principais políticos. O foco esteve no ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, alvo de pedidos de afastamento ou impeachment após revelações sobre suas relações com Vorcaro. Os oradores também defenderam a eleição de uma maioria de direita para o Senado, que tem atribuição constitucional para analisar pedidos de impeachment de ministros do Supremo.
Flávio afirmou que “Esse consórcio de Lula com Moraes vai acabar”. Também disse que, se eleito, indicará ao STF ministros contrários ao aborto, às drogas e ao que chamou de “ideologia de gênero nas escolas”. Comparou a condenação de Jair Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado a uma segunda facada, em referência ao atentado sofrido pelo pai durante a campanha de 2018, e acusou adversários de planejar nova interferência nas eleições, sem apresentar provas.
Críticas a Moraes e menções ao Banco Master
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), adotou tom menos agressivo, mas pediu reação do Senado e ressaltou a importância de eleger parlamentares de direita. Nikolas Ferreira (PL-MG) pediu “Fora Moraes”, defendeu o impeachment do ministro e anunciou um ato em frente à casa de Davi Alcolumbre (União-AP). Silas Malafaia chamou Moraes de “ditador da toga” e pediu seu afastamento.
Malafaia também mencionou o Banco Master, sem abordar as relações de aliados presentes no ato com Vorcaro. Nikolas trocou mensagens com o empresário e pediu ajuda para resolver uma questão ligada a um ativo minerário de um conhecido. O deputado nega ter recebido dinheiro dele.
Tarcísio recebeu, em 2022, R$ 2 milhões de Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro e maior doador individual de sua campanha ao governo de São Paulo. O governador nega favorecimento e afirma nunca ter tido contato com Vorcaro ou Zettel.
Mudança no discurso sobre Trump
A postura de Flávio na Paulista contrasta com manifestações anteriores. Em julho de 2025, após Donald Trump anunciar uma tarifa de 50% contra produtos brasileiros, o senador agradeceu ao presidente americano nas redes sociais e compartilhou uma mensagem de Eduardo Bolsonaro com o mesmo teor.
No fim de agosto deste ano, Flávio afirmou, em sabatina ao Jornal Nacional, que Eduardo havia errado ao agradecer pelas tarifas. Em julho, ele também havia enviado ao Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) um pedido para que uma nova tarifa de 25% contra o Brasil não fosse aplicada antes das eleições. Para o senador, a medida poderia ser interpretada como tentativa de influenciar a disputa.
Em Brasília, Luiz Inácio Lula da Silva colocou a soberania nacional no centro das comemorações oficiais. Em pronunciamento na véspera, disse que o Brasil não deveria “baixar a cabeça diante de potências estrangeiras” e que o país “não será colônia de ninguém”.
No desfile da Esplanada dos Ministérios, realizado sob o lema “Soberania: a força que une o Brasil”, o governo destacou recursos naturais, agricultura familiar, vacinação, educação, proteção ambiental e defesa das riquezas nacionais. Cerca de 4 mil civis e militares participaram. A cerimônia também abordou a violência contra meninas e mulheres e a Copa do Mundo Feminina de 2027. Parte do público pediu o fim da escala 6×1, manifestou apoio a Lula e se posicionou contra a anistia aos envolvidos nos atos golpistas.


