SÃO PAULO — Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva adotaram estratégias diferentes no 7 de Setembro ao abordar a crise institucional envolvendo o Supremo Tribunal Federal (STF). Na avenida Paulista, o senador associou críticas ao presidente e ao ministro Alexandre de Moraes. Em Brasília, Lula participou do desfile oficial e destacou a soberania nacional.
Flávio abriu seu discurso com as expressões “fora Lula e fora Moraes” e procurou transformar em argumento político o caso das mensagens trocadas entre Moraes e Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. O senador já era associado ao episódio por ter pedido dinheiro e chamado Vorcaro de “meu irmão”.
A crise também levou Flávio a mencionar uma possível “terceira facada”, em referência ao ataque sofrido por Jair Bolsonaro em 2018 e à prisão do ex-presidente em 2025. André Mendonça, ministro do STF, foi apresentado como uma figura de identificação para o bolsonarismo durante os discursos do evento.
O deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) adotou tom mais incisivo. Já o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP), que mira a reeleição e a Presidência em 2030, falou de maneira mais ponderada, segundo a avaliação registrada sobre o ato.
Lula no desfile oficial
Durante o desfile em Brasília, Lula apareceu no palanque ao lado de Davi Alcolumbre, presidente do Senado; Hugo Motta, presidente da Câmara; e Edson Fachin, presidente do Supremo. A composição foi interpretada como uma demonstração de busca por proteção institucional diante da crise envolvendo a corte.
A estratégia de enfatizar a soberania nacional havia contribuído para recuperar a avaliação do governo no ano passado, mas ainda não produziu o mesmo resultado nas pesquisas do Datafolha. A presença ao lado dos chefes dos Poderes também foi considerada menos favorável a Lula na comparação com a ofensiva de Flávio.
Augusto Cury (Avante), apontado como terceiro colocado nas pesquisas, também abordou o STF. Ainda assim, não está definido se os demais candidatos conseguiram transformar a crise em vantagem eleitoral para suas campanhas.


