SÃO PAULO — O presidente Luiz Inácio Lula da Silva tentou se afastar do desgaste envolvendo o Supremo Tribunal Federal (STF) e o ministro Alexandre de Moraes, enquanto o senador Flávio Bolsonaro procurou associar a crise ao governo federal. Os movimentos ocorreram no dia de uma sessão inédita da corte sobre a abertura de investigação contra Moraes, citado no escândalo do Banco Master.
Em entrevista à Record, nesta terça (15), Lula acusou o ministro André Mendonça, indicado ao STF por Jair Bolsonaro, de fazer vazamentos seletivos nas investigações. Ao mesmo tempo, defendeu a apuração do caso e disse que a Suprema Corte não deveria contribuir para a desconfiança da sociedade.
“Quem fez tem que ser punido, julgado”, afirmou Lula. O presidente também defendeu a abertura dos sigilos telefônicos dos envolvidos e questionou a condução de informações mantidas sob reserva por Mendonça, mencionando os ministros Dias Toffoli e Kassio Nunes Marques e o empresário Daniel Vorcaro.
Aliados do presidente esperavam uma reação mais dura, mas sem ataques diretos a Moraes. Auxiliares de Lula manifestaram, sob reserva, contrariedade com a sessão do STF e avaliaram que os ministros estavam mais preocupados em preservar os próprios cargos do que a instituição.
Marco Aurélio Carvalho, coordenador da campanha de Lula em São Paulo, reconheceu a atuação de Moraes na defesa da democracia após os ataques do 8 de Janeiro, mas disse que isso não o dispensava de prestar esclarecimentos. “Mas isso não é um salvo-conduto”, declarou.
Disputa eleitoral
Flávio Bolsonaro apresentou na televisão um pronunciamento eleitoral em que afirmou estar interrompendo a campanha diante da gravidade dos acontecimentos. O vídeo também foi publicado nas redes sociais e buscou aproximar as imagens de Lula e Moraes.
“O atual presidente dividiu o seu poder com Alexandre de Moraes, e no fim o Brasil ficou sem presidente nenhum. Sem comando”, disse Flávio. O candidato do PL é investigado no caso Master. Uma mensagem de celular encontrada pela Polícia Federal registra um pedido de dinheiro a Daniel Vorcaro para concluir o filme “Dark Horse”, sobre Jair Bolsonaro.
Ronaldo Caiado defendeu a investigação de Moraes e criticou a atuação do Legislativo durante agenda em Aparecida de Goiânia (GO). Romeu Zema realizou um ato na Esplanada dos Ministérios, em Brasília, contra o ministro e o STF e defendeu o impeachment de integrantes da corte.
Renan Santos fez uma transmissão ao vivo após a sessão e ironizou o pedido de vista feito por Flávio Dino. Também criticou Kassio Nunes Marques, que deixou a sessão depois de se declarar impedido.
Após conversar com eleitores na avenida Paulista, em São Paulo, Augusto Cury cobrou agilidade, transparência e discrição dos ministros. Ele afirmou que a análise não deveria ser adiada para que os eleitores pudessem avaliar os candidatos antes da votação de 4 de outubro.


