As campanhas de Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) trocaram acusações na televisão durante a sessão do Supremo Tribunal Federal que discutiu os desdobramentos da crise envolvendo Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
Flávio dedicou seu programa a críticas ao presidente e afirmou que o governo contribuiu para um desequilíbrio institucional ao governar ao lado de uma parte do Supremo. O senador também disse que Lula dividiu o poder com Moraes e que o país ficou sem comando.
A campanha petista, por sua vez, explorou investigações envolvendo Flávio e aliados. O programa recuperou uma declaração de Jair Bolsonaro feita em uma reunião com ministros em 2020, na qual o então presidente defendia mudanças no comando da Polícia Federal e no Ministério da Justiça enquanto sua família era alvo de investigações.
Em contraste, a propaganda afirmou que, no governo Lula, a Polícia Federal tem liberdade para investigar. O programa exibiu uma declaração do presidente em defesa da apuração de todos, sem blindagem, e acrescentou que quem não deve não teme.
A peça também mencionou políticos do Rio de Janeiro ligados a Flávio, entre eles um pré-candidato ao governo estadual apoiado pelo senador, preso sob acusação de ligação com o Comando Vermelho. Outro citado foi TH Joias, deputado preso sob suspeita de tráfico e lavagem de dinheiro para a facção.
Pesquisas e estratégia eleitoral
A propaganda petista ainda afirmou que Flávio foi flagrado pedindo R$ 134 milhões a Daniel Vorcaro, descrito no programa como banqueiro preso no escândalo do Banco Master. A peça terminou chamando o senador de pior dos Bolsonaros.
A crise no STF passou a integrar a estratégia das duas campanhas. Flávio e seus aliados tentam associar Lula a Moraes, relator dos processos que resultaram na condenação de participantes dos atos de 8 de janeiro. Políticos e aliados de Lula apoiaram a atuação do ministro nesses casos.
Levantamento Quaest divulgado na segunda-feira (14) apontou Flávio com 42% das intenções de voto, contra 40% de Lula em um eventual segundo turno. Os dois aparecem tecnicamente empatados.
Aliados do senador, porém, não atribuem diretamente o avanço à crise no Supremo. A avaliação é que o crescimento ocorreu principalmente entre as mulheres, grupo no qual Flávio enfrentava maior resistência e passou a registrar mais adesão.


