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Política

Advogado aponta uso de leis dos EUA para pressionar a política brasileira

Otávio Venturini afirma que normas extraterritoriais ampliam a influência americana e exigem novas respostas de soberania do Brasil.

Advogado aponta uso de leis dos EUA para pressionar a política brasileira

O advogado e professor Otávio Venturini afirma que os Estados Unidos vêm usando normas extraterritoriais para interferir na política brasileira. Para ele, a aplicação de leis domésticas americanas fora do território dos EUA ganhou força em meio à crise do sistema multilateral e transformou o Brasil em um laboratório dessas medidas.

A regulação extraterritorial ocorre quando normas de um país são aplicadas em outros Estados, mesmo sem a concordância deles. Segundo Venturini, essas regras atingem governos, políticos, empresas e cidadãos. As respostas brasileiras variam entre aceitação, negociação diplomática e oposição.

Casos citados pelo advogado

Na operação Lava Jato, o Department of Justice dos EUA usou o Foreign Corrupt Practices Act para aplicar multas a empresas brasileiras. A Petrobras concordou em pagar US$ 1,78 bilhão em 2018 para encerrar investigações. A Odebrecht, incluindo a Braskem, aceitou pagar R$ 6,9 bilhões ao Brasil, à Suíça e aos EUA. Venturini considera abusiva a aplicação da jurisdição americana com base em uma reunião de executivos da Odebrecht realizada nos EUA.

O advogado também classificou como uma radicalização da extraterritorialidade a aplicação da Lei Magnitsky a Alexandre de Moraes, Viviane Barci de Moraes e ao Instituto Lex. As sanções foram posteriormente revogadas, após atuação diplomática do governo Luiz Inácio Lula da Silva.

Em maio, o Departamento de Estado dos EUA classificou o Comando Vermelho e o Primeiro Comando da Capital como organizações terroristas. Venturini vê objetivos políticos e econômicos na medida, que vem sendo contestada pelo governo brasileiro. Ele afirma que as designações podem ampliar riscos para operadores financeiros e logísticos no Brasil, devido a restrições sobre transações, bens e relações comerciais.

Soberania e respostas possíveis

Venturini defende que o Brasil e outros países do Sul Global discutam formas de responder às normas estrangeiras. Entre as alternativas, cita as regras de bloqueio da China, que proíbem entidades e autoridades locais de cumprir determinações extraterritoriais e podem prever compensação financeira por prejuízos.

Para o advogado, a soberania depende da capacidade institucional de cada país de decidir quando deve rejeitar, reforçar ou negociar a aplicação de normas estrangeiras. “Não dá para dizer que o sistema multilateral ruiu, mas ele não está dando conta dessas mediações”, afirmou.

Ele também menciona a União Europeia como outro polo de regulação extraterritorial, especialmente por meio do GDPR, e relaciona a Lei Geral de Proteção de Dados brasileira à necessidade de manter negócios com empresas europeias. Na avaliação de Venturini, os custos de adequação regulatória fazem do compliance uma forma de execução privada dessas regras.

Texto produzido pela Redação Caderno Atual com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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