MONTES CLAROS (MG) — O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quinta-feira (17) que medicamentos em formato de caneta para emagrecimento deverão ser oferecidos gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Ele não informou qual produto será adotado, quais pacientes poderão receber o tratamento, quando a medida entrará em vigor ou quanto custará aos cofres públicos.
Durante visita ao complexo industrial da farmacêutica Eurofarma, Lula disse que o uso dos medicamentos deverá ser acompanhado por médicos. O presidente também afirmou que o tratamento da obesidade precisa incluir mudanças na alimentação e a prática de exercícios físicos.
"O que é importante é que essa canetinha vai ser utilizada para cuidar de graça das pessoas que tenham obesidade, tá?", disse Lula.
Ao se dirigir ao ministro da Saúde, Alexandre Padilha, o presidente defendeu um acordo com os médicos para evitar prescrições sem avaliação individual. Lula criticou a distribuição indiscriminada dos medicamentos e afirmou que os profissionais devem verificar se o paciente pode utilizá-los e se o tratamento será adequado.
A declaração ocorreu no mesmo dia em que o governo anunciou um reajuste de 15,04% nos valores do Bolsa Família. Com a mudança, o benefício mínimo passará de R$ 600 para R$ 691, enquanto a média paga por família irá de R$ 675 para R$ 777. Os novos valores começarão a ser pagos em outubro.
O reajuste foi formalizado em decreto assinado por Lula. O texto prevê efeitos financeiros a partir de 1º de outubro e considera a inflação acumulada medida pelo INPC entre março de 2023 e agosto de 2026. O impacto estimado pelo governo é de R$ 5,8 bilhões nas contas públicas em 2026 e de R$ 22,7 bilhões em 2027.
Outras propostas eleitorais
A equipe de Lula também programou a defesa de um aumento do limite de receita bruta anual dos microempreendedores individuais para até R$ 140 mil. A proposta enviada ao Congresso no final de junho prevê elevação escalonada desse teto em dois anos. O limite atual é de cerca de R$ 80 mil, e a alteração deve custar R$ 8,1 bilhões até 2029, conforme a gestão federal.
As medidas foram anunciadas a pouco mais de duas semanas do primeiro turno das eleições. Lula está sob pressão na campanha, diante do empate com Flávio Bolsonaro nas pesquisas.


