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Política

Na ONU, Lula mantém combate à fome e amplia agenda sobre clima e democracia

Discursos do presidente em dois períodos mostram continuidade na defesa social e novas prioridades, como ambiente digital, emergência climática e Estado de Direito.

Na ONU, Lula mantém combate à fome e amplia agenda sobre clima e democracia
Foto: Mike Segar/Reuters

Os discursos de Luiz Inácio Lula da Silva na Assembleia Geral das Nações Unidas preservam temas como o combate à fome, a reforma do Conselho de Segurança e a solução pacífica de conflitos, mas incorporam novas preocupações. Entre 2003–2008 e 2023–2026, a agenda passou a incluir a emergência climática, a regulação das plataformas digitais e a defesa da democracia diante do extremismo.

Fome e proteção social

Desde 2003, Lula apresenta na ONU a criação do Fome Zero e defende mecanismos internacionais de combate à pobreza, como um Fundo Mundial ou um Comitê de Combate à Fome. Em 2005, citou Josué de Castro, primeiro diretor-geral da FAO, ao tratar da relação entre fome e problemas sociais. A referência voltou a aparecer em 2008.

A pauta permaneceu nos pronunciamentos mais recentes. Em 2024, Lula afirmou que o contingente de pessoas passando fome no mundo havia crescido em mais de 152 milhões desde 2019 e apresentou a Aliança Global contra a Fome e a Pobreza no âmbito do G20. Em 2025, mencionou a confirmação da FAO de que o Brasil havia deixado novamente o Mapa da Fome. No ano seguinte, associou essa trajetória à defesa de colocar o pobre no orçamento e de ampliar as redes de proteção social.

Poder global e conflitos

A cobrança por mudanças no Conselho de Segurança também atravessa os dois períodos. Nos primeiros discursos, Lula criticava a falta de representatividade do órgão e defendia maior presença de países em desenvolvimento, especialmente da América Latina e da África, entre os membros permanentes. Em 2003, disse que a composição existente desde a criação da ONU não poderia ser mantida; em 2007, voltou ao tema.

Nos pronunciamentos mais recentes, a crítica passou a relacionar a exclusão dessas regiões às heranças do colonialismo. Em 2024, Lula considerou inaceitável a ausência de representantes latino-americanos e africanos entre os integrantes permanentes. Em 2025 e 2026, acrescentou que a paralisia do Conselho limita a resposta às crises internacionais.

A defesa do multilateralismo, do Direito Internacional e da autodeterminação permaneceu. A criação de um Estado Palestino soberano foi mencionada em 2004 e entre 2023 e 2026. Nos discursos de 2024 a 2026, Lula condenou os atos terroristas do Hamas e descreveu as ações israelenses em Gaza como punição coletiva, vingança e genocídio contra mulheres e crianças. A guerra do Iraque apareceu no primeiro discurso; depois, as falas passaram a mencionar seguidamente o conflito entre Ucrânia e Rússia.

Clima e economia internacional

Nos anos 2000, o debate ambiental se concentrava no Protocolo de Quioto, na redução inicial do desmatamento e no uso de etanol e biodiesel como fontes de energia e instrumentos de desenvolvimento. No retorno à Assembleia, durante o terceiro mandato, o foco passou ao enfrentamento da emergência climática planetária.

O Brasil assumiu a meta de zerar o desmatamento até 2030, apresentou novas metas de redução de emissões, convocou a COP30 em Belém, chamada de COP da Verdade, e lançou o Fundo Florestas Tropicais para Sempre. Os discursos também passaram a combater o negacionismo climático.

A visão de uma nova geografia econômica do Sul global, presente nos primeiros pronunciamentos com referências a IBAS, BRICs, UNASUL e G-20 comercial, deu lugar a um cenário descrito como marcado por conflitos simultâneos, aumento dos gastos militares globais, que superaram 2,4 trilhões de dólares, e disputas hegemônicas. Em 2026, Lula afirmou que o Brasil não cabe no quintal de ninguém.

Novas pautas

A governança digital surgiu como uma frente própria. Lula passou a denunciar o chamado neoliberalismo digital e a concentração de poder na Inteligência Artificial, além de defender regulação estatal para evitar que a internet funcione sem regras. Em 2026, incluiu nessa agenda o combate à indústria das bets, medidas de proteção para crianças, adolescentes e mulheres no ambiente digital, a rejeição a pressões multinacionais pela privatização do PIX e uma referência à responsabilidade ética do avanço tecnológico, atribuída ao Papa Leão 14.

A defesa explícita do Estado Democrático de Direito também ganhou espaço. Em 2025, Lula comentou a condenação de um ex-chefe de Estado por atentar contra a ordem democrática, em menção indireta ao ex-presidente Jair Bolsonaro. Em 2026, denunciou o uso de redes de desinformação com ingerência externa no processo eleitoral e afirmou que a democracia brasileira é soberana e inegociável.

O conjunto mais recente ainda inclui propostas de cooperação internacional contra a lavagem de dinheiro, a criação do Centro de Cooperação Policial Internacional da Amazônia, a promulgação da Lei Antifacção e a defesa de novas garantias trabalhistas. Entre elas estão o apoio ao fim da escala 6x1 e o combate à sobrecarga doméstica feminina.

A própria avaliação sobre a ONU mudou. Nos anos 2000, predominava a confiança na capacidade da organização de evitar guerras e promover o desenvolvimento. Em 2026, Lula classificou o período como o momento mais crítico das Nações Unidas e disse que a credibilidade da instituição nunca esteve tão baixa diante da dificuldade de conter conflitos e proteger populações vulneráveis.

Texto produzido pela Redação Caderno Atual com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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