SÃO PAULO — Mensagens extraídas pela Polícia Federal do celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro registram contatos com o ministro do Supremo Tribunal Federal André Mendonça e com os advogados Kevin Marques e Rodrigo Fux, filhos dos ministros Kassio Nunes Marques e Luiz Fux, respectivamente.
O conteúdo integral do aparelho foi entregue pela PF aos gabinetes de Cristiano Zanin, Gilmar Mendes e Alexandre de Moraes para uma análise sobre a relação de Moraes com Vorcaro. As mensagens também mostram convites para eventos do Instituto Iter, fundado por Mendonça, e tratativas para reuniões com o ministro.
Em abril de 2024, um advogado identificado como Marcus Vinicius afirmou a Vorcaro que Mendonça o havia chamado ao STF. Em fevereiro de 2025, o advogado Ciro Soares escreveu que “O A.M quer recebê-lo” e que precisava agendar o encontro. Em março, o deputado federal Cezinha de Madureira informou a Vorcaro sobre uma reunião com Mendonça em São Paulo. Pouco antes do horário marcado, o ministro já o aguardava, segundo a conversa.
Pagamentos ligados a Kevin Marques
Mensagens trocadas entre Vorcaro e Luiz Rennó, então diretor jurídico do Banco Master, tratam de pagamentos mensais de R$ 500 mil que seriam destinados a Kevin Marques por meio da Consult Inteligência Tributária.
As conversas ocorreram depois de uma decisão do STF favorável a uma destilaria que receberia indenização da União. Edson Fachin, Dias Toffoli e Kassio Nunes Marques votaram a favor da tese. Gilmar Mendes e André Mendonça ficaram vencidos. Nunes Marques havia se declarado impedido, mas reviu a posição e desempatou o julgamento.
Em 4 de julho de 2025, Rennó voltou a mencionar o pagamento. Em 8 de agosto de 2025, afirmou que, entre os pagamentos essenciais, faltava a Consult.
Contatos com Rodrigo Fux
As mensagens também indicam proximidade entre Vorcaro e Rodrigo Fux. Em diferentes conversas, o advogado chamou o ex-banqueiro de “irmão”, combinou reuniões e ofereceu ajuda em um caso.
Em março, Rodrigo marcou um encontro com Vorcaro em Brasília e informou que precisava alinhar algumas questões. Depois, pediu que informações sobre um compromisso em Londres fossem encaminhadas à secretária de seu pai, com cópia para ele, usando um endereço com domínio institucional do STF.
O material não identifica os participantes de um encontro mencionado em fevereiro de 2025 e, isoladamente, não permite afirmar que Luiz Fux estivesse envolvido. A conexão direta com o ministro aparece nas mensagens sobre o envio das informações à secretária.


