SÃO PAULO — A Polícia Federal cumpriu nesta sexta-feira (2) dois mandados de busca e apreensão em São Paulo e no entorno do Distrito Federal para investigar o suposto planejamento de atos que poderiam ameaçar instalações diplomáticas dos Estados Unidos e do Brasil. A corporação afirmou que a operação foi preventiva e conduzida sob sigilo, em cooperação com agências de inteligência estrangeiras.
“Trata-se de ação preventiva adotada em investigação sigilosa conduzida pela Polícia Federal e fruto da cooperação permanente com agências de inteligência estrangeiras”, informou a Polícia Federal.
Ainda segundo a corporação, as diligências não encontraram, até o momento, elementos que confirmassem os riscos apontados inicialmente. Também não foram identificados suspeitos ligados a organizações criminosas.
Suspensão dos serviços
Os Estados Unidos anunciaram na mesma data a interrupção das atividades de seus consulados e da embaixada no Brasil. Não há previsão para a retomada dos serviços consulares americanos. Em nota, o governo de Donald Trump justificou a medida por “questões de segurança”.
O governo brasileiro já acompanhava indícios de que as representações diplomáticas americanas poderiam suspender o atendimento e monitora os fatores que levaram à decisão. Apesar da proximidade do primeiro turno das eleições presidenciais, marcado para este domingo (4), o governo Lula (PT) evita classificar o episódio como uma tentativa de interferência americana no país.
Autoridades nacionais que acompanham o caso afirmam que ainda não há elementos concretos para sustentar essa interpretação. A orientação dentro do governo é não ampliar o alarme em torno da suspensão antes da eleição, para evitar pânico considerado desnecessário.
A embaixada da Austrália também interrompeu suas atividades, acompanhando a decisão americana. A informação dentro do governo brasileiro é que os australianos não haviam relatado indícios próprios de problemas de segurança e apenas seguiram a deliberação dos Estados Unidos. Um comunicado no site de turismo australiano alertou cidadãos sobre possíveis ameaças terroristas e crimes violentos no Brasil e recomendou distância das áreas próximas às repartições diplomáticas americanas.
Histórico de atritos
Há, no governo Lula, a percepção de que os Estados Unidos já manipularam o tema da segurança brasileira em outros momentos. Os questionamentos se intensificaram após o tarifaço americano de 2025, quando Trump criticou a atuação do Judiciário no caso do ex-presidente Jair Bolsonaro, posteriormente condenado pelo STF.
Mais recentemente, os Estados Unidos questionaram o processo eleitoral brasileiro. O Itamaraty negou vistos a dois funcionários do Departamento de Estado que tentaram vir ao Brasil com interesses relacionados ao processo democrático e às urnas eletrônicas.
Neste ano, também houve atrito diplomático com a Argentina, após declarações do presidente Javier Milei contra Lula e o Brasil. Como parte do rebaixamento das relações, o embaixador argentino no Brasil foi enviado de volta à Argentina.


