A Polícia Federal informou ao Supremo Tribunal Federal que o celular de Daniel Vorcaro e a extração original dos dados continuam guardados em suas dependências. A corporação também comunicou ao presidente da Corte, Luiz Edson Fachin, que tem condições técnicas de preparar cópias idênticas do conteúdo para os gabinetes dos ministros que pediram acesso.
A resposta foi enviada na manhã deste domingo (13), após Fachin determinar, no sábado (12), que a PF explicasse em 24 horas como o aparelho era armazenado e quais eram suas condições. O celular foi apreendido na Operação Compliance Zero, que apura fraudes financeiras bilionárias do Master.
Cópia encaminhada a Mendonça
Em nota, a PF afirmou que o aparelho nunca deixou a instituição. A corporação esclareceu ainda que o arquivo enviado em março deste ano ao gabinete do ministro André Mendonça era uma cópia dos dados extraídos, produzida a partir de solicitação formal, e não o conteúdo original.
A instituição declarou compromisso com a preservação da cadeia de armazenamento das provas e com o devido processo legal. Também informou estar disponível para fornecer esclarecimentos adicionais ou realizar perícias destinadas a verificar a integridade dos arquivos.
Pedidos de acesso no tribunal
Cristiano Zanin, Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes solicitaram a Fachin acesso integral ao espelhamento do aparelho, um iPhone 17 Pro. Zanin disse que o colegiado precisa examinar o contexto completo dos dados antes de deliberar e observou que a defesa de Vorcaro já teve acesso ao conteúdo integral.
Moraes apoiou o pedido e afirmou que "não cabe ao ministro relator escolher quais os documentos acessíveis ao Colegiado para realizar seu julgamento". Mendes, por sua vez, sustentou que manter os dados apenas no gabinete de Mendonça afeta o equilíbrio interno e a paridade da Corte. Caso os arquivos não fossem liberados, pediu que a Presidência os requisitasse diretamente à PF.
Mendonça havia dito que o material sob sua guarda era uma cópia de segurança criptografada e lacrada, mantida como contraprova caso o original fosse extraviado. Segundo ele, a mídia não havia sido manuseada.
O plenário do STF tem para terça-feira (15) o julgamento do relatório da PF que apontou mensagens trocadas entre Vorcaro e Moraes.


